“Pela primeira vez, o partido que venceu na cidade foi o Porto”, declarou Rui Moreira, o vencedor da corrida à Câmara do Porto, no seu discurso de vitória, este domingo. O candidato independente, que concorreu à câmara portuense com o apoio do CDS-PP, foi uma das maiores surpresas da noite eleitoral e deixou aos seus apoiantes as suas primeiras palavras: “Eu não vos vou desapontar”, garantiu.

De seguida, exaltou o Porto, que mostrou, mais uma vez, “do que é feito” e a “sua fibra”, não se deixando “influenciar por promessas irresponsáveis”, referiu o ex-presidente da Associação Comercial do Porto. “Os partidos não têm estado bem e esta eleição é um sinal claro do Porto de que é possível fazer diferente”, disse o grande vencedor no Porto, desta noite eleitoral.

“Nós sabíamos o que podíamos prometer”

Resultados Autárquicas 2013

No concelho do Porto, os votos estão contados.
Rui Moreira (Independente): 39,25% – 6 mandatos;
Manuel Pizarro (PS): 22,68% – 3 mandatos;
Luís Filipe Menezes (PSD): 21,06% – 3 mandatos;
Pedro Carvalho (CDU): 7,38% – 1 mandato;
José Soeiro (BE): 3,6%;
Nuno Cardoso (Independente): 1,08%

Visivelmente emocionado, entrou para o palanque ao som do hino que o acompanhou nesta campanha. Bateu no peito – “vocês estão aqui”, dizia -, saudou quem ali se encontrava – e gritava – por ele e comprometeu-se com a cidade.

Mas depois das congratulações, Moreira deixou ainda uma mensagem “a todos aqueles que tentaram impedir” a sua candidatura, desde as “altas individualidades nacionais” a “comentadores de televisão com pretensões políticas individuais” ou “dirigentes e comentadores de jornais” que “permanentemente tentaram intoxicar a população”.

Com vontade de “introduzir novos protagonistas na cidade” e “romper com o atual estado das coisas”, garante cumprir o programa que delineou para os portuenses: “Nós sabiamos o que podíamos prometer”, afirmou.

Mas enquanto só havia promessas, havia também muito poucas certezas. Às 19h, quando encerravam as urnas em todo o país (à exceção dos Açores), eram muitos os que já controlavam o nervoso miudinho. Mas a esperança foi crescendo e o rumor também: faltavam 20 minutos para as 20h, momento de divulgação dos resultados das primeiras sondagens, já se dizia na sede azul que, segundo as projeções à boca de urna, o candidato independente ia à frente.

“É um orgulho ser desta cidade”

Às 20h03, as televisões confirmam o que os apoiantes de Rui Moreira mais querem ouvir e há a primeira explosão de emoção. São bandeiras, cânticos, berros, saltos e um todo de expressões. “É um orgulho ser desta cidade”, alguém diz. O professor Azeredo Lopes é o primeiro a tomar a palavra: “A candidatura de Rui Moreira encara as projeções com serenidade e harmonia”. “O Porto é, realmente, uma grande cidade”, terminou.

Seguiram-se os discursos, os comentários e as tomadas de posição. No grande ecrã, à esquerda do palanque, Luís Filipe Menezes assume a derrota enquanto o champanhe é derramado na passadeira azul de Rui Moreira e distribuído pelos copos de apoiantes em êxtase. Uma maneira de contrariar a espera apimentada por um calor sufocante, que atormentava quem escolheu a sede nos Aliados para passar a noite eleitoral, mas que ainda assim não fez os apoiantes do candidato independente arredarem pé.

Entre eles, dezenas de jovens – mesmo que nesta candidatura não existam “jotas”. Bruno Pinto, de 20, escolheu Rui Moreira por ser “o candidato mais sério” que já conheceu. Acredita que agora se vai “reabilitar a Baixa” e “lutar contra o centralismo”. Já Tomás Vieira está ali para “apoiar uma candidatura equilibrada, sem influência de partidos” – mesmo que vote em Matosinhos. “Que [Rui Moreira] continue o legado do Rui Rio” é dos desejos do jovem de 20 anos.

Rui Rio, que termina agora o mandato como presidente da Câmara Municipal do Porto, foi, de facto, um dos apoiantes de Rui Moreira contra a escolha do seu próprio partido: Luís Filipe Menezes – mesmo que nunca lhe tenha granjeado apoio direto.

“Não só uma derrota, mas uma humilhação do candidato do PSD”

Miguel Veiga, um dos fundadores, em conjunto com nomes Francisco Sá Carneiro ou Pinto Balsemão do Partido Popular Democrático – agora Partido Social Democrata (PSD) -, apoiou abertamente o candidato independente. “Nunca imaginei [estar nesta situação], nunca em toda a minha vida deixei de votar PSD. Esta foi a primeira vez”. É que “nunca me revi nesta direção do PSD e muito menos no candidato apoiado pelo PSD, que se proclamava vencedor”, explicou Veiga, em entrevista ao JPN.

Quanto aos resultados desta noite eleitoral, fala não só de “uma derrota”, mas de “uma humilhação do candidato do PSD”, que ficou em terceiro lugar, e da “direção e do aparelho do partido”. “Não foi só aqui. O PSD foi acumulando derrotas pelo país fora, o que mostra a ineficácia da sua política. Que lhes sirva de lição”, declarou. Já da vitória de Moreira, diz somente que “o Porto pensa e decide pela sua própria cabeça, não vai ‘em futebóis'”.

Talvez por isso, Rui Moreira sublinhe que tem “muito orgulho em ser portuense” e acredita que “o Porto vai dar o exemplo a Portugal”. O agora presidente da Câmara do Porto destronou o poderoso Menezes, a quem algumas sondagens deram a vitória, e Manuel Pizarro, o candidato pelo Partido Socialista. Este último saudou o candidato vencedor e afirmou que ocuparia o seu lugar de vereador da oposição. Rui Moreira louvou o discurso do rival, “pela sua dignidade”. “Muito bem, Rui, muito bem!”, alguém dizia.

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