Se há uma década apenas 2% dos norte-americanos consumiam notícias “online”, esse número atingiu, neste ano, os 31%. Ou seja, um em cada três utiliza a Internet para se informar. Para a maioria destes utilizadores, a informação contida na rede serve como um complemento aos conteúdos recolhidos nos “media” tradicionais – televisão, rádio e jornais.

Segundo o mais recente estudo do Pew Research Center for the People & the Press, a internet está longe de suplantar os seus concorrentes. Os dados recolhidos junto de um universo de 3.204 adultos norte-americanos mostram que os leitores de notícias “online” despendem mais tempo a consumir informação nos meios de comunicação tradicionais do que aquele que dedicam aos conteúdos da “web”.

Cerca de metade (48%) dos inquiridos assistem, pelo menos durante 30 minutos, às notícias transmitidas pela TV, seguida pelos jornais e pela rádio; apenas 9% passam o mesmo período de tempo a recolher notícias na Net.

A rapidez e a comodidade são as vantagens apontadas pelos leitores de notícias “online”, em detrimento do detalhe e da profundidade da informação. Aqueles que privilegiam o conteúdo informam-se, preferencialmente, através da televisão.

Por outro lado, dos 23% que recolheram notícias na internet no dia anterior, apenas uma minoria visitou “sites” de jornais. Ao invés, os sites que incluem resumos actualizados das principais notícias do dia, como o MSNBC ou o Yahoo, são os mais procurados pelos inquiridos.

O estudo refere também que os jornais estão a conseguir contrariar a descida da audiência graças às suas versões “online”, captando leitores e publicidade, mas em números ainda simbólicos. Se um em quatro americanos leram o jornal do dia anterior, deste grupo apenas 6% é que o fizeram na internet e, dentro desta percentagem, 4% garantiram que leram um jornal tanto na rede como no papel.

Muitos dos dispositivos electrónicos portáteis já permitem receber notícias, gravadas ou em directo. Entre os utilizadores de telemóvel, só 6% lêem os títulos ou mesmo as notícias e menos de uma em cinco pessoas diz informar-se através de um PDA (18%). E dentro daqueles que utilizam um iPod ou outro aparelho portátil de música, apenas 8% escutam notícias em “podcasts”.

João Queiroz
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