O painel de estreia da primeira Comic Con Portugal decorreu no auditório Comics e foi dedicado à banda desenhada (BD). Filipe Melo e Juan Cavia, co-autores d’”As incríveis aventuras de Dog Mendonça & Pizzaboy”, fizeram a apresentação dos livros da trilogia, referente aos tempos da II Guerra Mundial. Os dois artistas juntam-se apenas nos lançamentos dos livros. No entanto, destacaram que a Comic Con foi uma boa razão para Juan Cavia vir de novo a Portugal, proporcionando um dos raros encontros dos autores.

Para construírem os livros, os dois artistas visitam alguns locais e escolhem o espaço para o desenrolar da ação. Tiram fotografias, observam imagens na Internet e até utilizam o Google Street View. O exemplo mais conhecido é a “reportagem” de novembro de 2013, sobre aranhas gigantes na ponte 25 de abril, em Lisboa. Exatamente porque, na altura, o novo livro acompanhava as aventuras das personagens em Lisboa, onde encontravam aranhas gigantes.

Através dos trailers videográficos, Filipe Melo e Juan Cavia descreveram o processo de evolução que sentiram desde o primeiro até ao último livro. Declararam que algumas das suas criações são um tributo aos comics e filmes dos anos 80. Mencionaram também a grande importância que a editora Dark Horse Comics tem, por ter adotado esta banda desenhada.

Convidados de luxo

Claudio Castellini, Carlos Pacheco e Javier Rodriguez, conhecedores dos mercados americano e europeu de BD, marcaram presença na Comic Con Portugal para salientar as diferenças entre os dois.

Portugal internacional

O segundo painel contou com a presença dos desenhadores Jorge Coelho, Daniel Maia e do arte-finalista Daniel Henriques. A internacionalização dos artistas portugueses de banda desenhada foi o tema versado. Os convidados referiram que, mesmo trabalhando para os “gigantes norte-americanos”, nenhum dos três tem necessidade de sair de Portugal.

Os artistas apontaram a globalização da Internet como causa para a internacionalização repentina. Na opinião dos mesmos, a Internet proporciona uma fácil comunicação com editores e dá a conhecer a grande diversidade de talentos, que desde sempre existiu em Portugal.

Jorge Coelho e Daniel Maia completam-se um ao outro, quando interrogados sobre o modo como se processa o trabalho de cada um. Daniel Henriques reconhecia constantemente as diferenças entre as suas atividades. Refere que a arte-final “faz a simbiose perfeita com outros artistas”. No entanto, apesar das diferentes funções dos convidados, todos concordaram que fazer banda desenhada é “construir um bolo por camadas”, pois há muitas pessoas envolvidas no processo artístico, com funções distintas e que moram em países distintos.

Questionados sobre a imagem dos desenhadores portugueses no estrangeiro, disseram que Portugal não é reconhecido neste setor. No entanto, quem conhece as criações portuguesas diz que não há um estilo definido no país, como acontece em outros. Este resultado é mais uma prova de que Portugal, por ser um país periférico, recebe influências artísticas dos quatro cantos do mundo.

Pia Guerra e Ian Boothby

O terceiro painel de comics foi mais visitado do que os anteriores, devido à presença de dois grandes artistas norte americanos: Ian Boothby, argumentista dos Simpsons, e a sua mulher, Pia Guerra. Destacaram que, nos EUA, para se ser bem-sucedido nos comics, são necessárias três coisas: rapidez, qualidade e boa disposição ou simpatia.