Na próxima sexta-feira, dia 22 de maio, entre as 14h e as 16h, realiza-se o workshop “Literacia Financeira”, na Cidade das Profissões (CdP), organização existente desde 2006, situada na Rua das Flores, e pertencente à Câmara Municipal do Porto. Os oradores do evento serão representantes da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO), e a formação ainda tem vagas por preencher. Todas as atividades da CdP são gratuitas, mas carecem de inscrição prévia, até aos 15 dias predecessores de cada evento.

Segundo a sinopse da iniciativa, presente no site da CdP , o workshop visa promover “a capacidade para a tomada de decisões financeiras informadas desde a gestão das finanças pessoais, à escolha de produtos financeiros adequados. Indivíduos com elevados níveis de literacia financeira estão melhor preparados para tomar decisões que lhes trazem benefícios imediatos, mas também para, de forma construtiva, apoiar e criticar o mundo económico em que vivem”.

Contactada pelo JPN, uma responsável da organização explicou a missão de todo o projeto: “Trabalhamos numa lógica de reinserção e evolução. Interagimos coletivamente, com estas várias atividades, para cidadãos desempregados, no sentido de lhes dar melhores ferramentas a utilizar na procura de emprego, como melhorar o curriculum vitae, as cartas de apresentação, a imagem a apresentar, como lidar com entrevistas. E também trabalhamos individualmente, no mesmo sentido, mas também com quem já está empregado, para uma aprendizagem contínua de cada profissional na sua área”.

É esta uma organização que, dadas as suas especificidades, funciona em complementaridade com o Centro de Emprego (IEFP)? “Sem dúvida. É mesmo essa a nossa lógica de atividade. Não pretendemos substituir nenhuma organização na rede de apoio à empregabilidade e empreendedorismo. Pretendemos trabalhar sempre numa lógica auxiliar. Não facultamos ofertas de emprego, como o faz o Centro de Emprego, mas ajudamos os cidadãos a prepararem-se para as mesmas”, explicou a responsável da CdP.

“Literacia financeira”?

E o que é isto da literacia financeira? Fernando Pinto, licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP), e economista há mais de 25 anos, aprofundou mais o conceito, ao JPN: “Quando falamos de ‘financeiro’, falamos de tudo aquilo que tem a ver com dinheiro, débitos, créditos, os investimentos em instrumentos financeiros, como as obrigações, ações ou certificados de aforro. Literacia financeira é não gastar mais do que aquilo que se ganha. Tem também a ver com as aplicações que se fazem ao dinheiro que se poupa”.

Informações

A CdP organiza mais oito workshops ligados ao empreendedorismo e à empregabilidade. Para consultar as temáticas abordadas em cada um deles, os interessados podem consultar a agenda da organização. Para outras informações sobre a entidade, os cidadãos podem contactá-la através de emailinfo@cidadedasprofissoes.pt, ou do contacto telefónico 223 392 360.

Para o economista, esta iniciativa da CdP revela-se da especial importância, visto que, atualmente, “muitas pessoas tornam-se insolventes, porque, com os seus rendimentos, não conseguem solver os seus compromissos financeiros. Endividam-se de tal modo, que há uma ruptura entre o complemento das suas obrigações financeiras e a sua fonte de ganhos, o rendimento auferido”.

Fernando Pinto associa também o conceito de custo de oportunidade à literacia financeira, no sentido de devermos estudar sempre bem “do que estamos dispostos a abdicar em função da aquisição de determinado bem ou serviço”. Uma boa forma de gestão financeira, para o economista, passa pela escolha diária de produtos financeiros adequados, isto é, “aqueles que são rentáveis cosoante determinados riscos”.

“Devemos investir em instrumentos de baixo e médio risco, como, atualmente, os certificados de aforro”, afirma o economista. Esse investimento é o escolhido pelo profissional, pelo facto de “ter garantias dadas pelo Estado, ter juros rentáveis mais elevados do que os depósitos a prazo dos bancos, e podem ser resgatados a qualquer momento, sem por isso existirem perdas de rendimentos”.

Para Fernando Pinto, não nos devemos ficar por esse investimento. “Não devemos pôr os ovos todos no mesmo saco. Devemos investir em mais frentes, como obrigações, títulos de tesouro, ou na bolsa”, afirma. Para o também Técnico Oficial de Contas, “hoje em dia, muitas pessoas gerem a sua vida sem os mínimos conhecimentos económicos. E estes cursos são interessantíssimos, para não se gastar acima das possibilidades”.

Por último, o técnico explicita alguns cuidados diários que utiliza na gestão dos seus recursos: “Eu conto manualmente cada movimento da minha conta bancária. Isso ajuda-me a saber gerir melhor o meu dinheiro, porque controlo os meus gastos e rendimentos. Assim, consigo sempre saber, mês a mês, se gastei mais ou menos do que ganhei. Planeio sempre distribuição das minhas receitas pelos meus compromissos, como investimentos, rendas ou contas a pagar. Acredito que os cidadãos deveriam fazer o mesmo, para controlarem melhor os seus gastos”.