Como já tinha sido noticiado pelo JPN, o edifício AXA irá, no próximo dia 28 de novembro, fechar as suas portas à arte e à cultura. Ainda assim, não será por isso que a Avenida dos Aliados, no centro do Porto, vai deixar de ser um ponto de referência nesta área. Com a mudança para um novo espaço, o edifício do Montepio, um pouco mais abaixo na avenida, vai abrir portas com mais uma edição do UP Street Porto, que se vai realizar nos dias 28 de novembro, sábado e 29, domingo.

Este “mercado urbano”, que terá como grande foco a street art, irá regressar então para uma terceira edição com vários artistas  e muitas atividades disponíveis ao público. É por linhagem que a arte e a cultura no Porto pretendem continuar, apesar da mudança de espaço. O JPN falou com Cláudia Melo, diretora artística do edifício AXA e do programa de arte urbana. Segundo a própria, este mercado “é um mote para a divulgação dos artistas e dos seus trabalhos”.

Sobre a mudança para o espaço do Montepio, a organização vê com bons olhos, especialmente para a realização deste evento. “O espaço Montepio é um espaço open space. É uma sala grande que irá contar com as bancas dos artistas, as exposições e os trabalhos que vão colocar nas paredes”, referiu a diretora artística.

Música não pode faltar

Para acompanhar o mercado do Up Street Porto, Cláudia Melo referiu haver “alguma programação paralela”.

Esta transcreve-se em música ao vivo, dividida em quatro atuações no “Espaço Idiot DJ’s” e um concerto. Com dois DJ’s em cada um dos dias, o sábado 28 de novembro terá Mvria entre as 16h e as 20h. Daí até ao fecho, a música será assegurada por Alfredo (metade da dupla Os Yeah! e membro da banda Sensible Soccers). No dia seguinte, o primeiro turno musical, entre as 16h e as 19h, será a cargo da Supa enquanto o segundo, entre as 20h e as 23h, será de Jonathan. A existência do furo a partir das 19h é explicada por ser aí o início da atuação de João Mortágua intitulada “Janela”, concerto promovido pela associação Porta-Jazz.

Todos os eventos descritos do UP Street Porto, a decorrerem no espaço Montepio serão gratuitos e de entrada livre. O mercado de arte urbana estará aberto no sábado 28 de novembro entre as 16h e as 00h, e no domingo 29 das 16h às 23h.

O foco será, como seria de esperar, o espaço do mercado, que irá contar com trabalhos e exposições dos mais de 20 artistas que vão efetuar a deslocação até ao espaço Montepio para apresentarem as suas obras ao grande público. No meio destes artistas incluem-se, por exemplo, Andy Calabozo, o estúdio dPigs StudioAna SeixasCostahElleonor ou ainda o conhecido Hazul. “Os street artists estão cá, os ilustradores estão cá e poderão fazer mostras da sua produção assim como vendê-las”, referiu Cláudia Melo.

Durante o fim de semana, também irão decorrer workshops orientados por vários artistas portugueses. Desses, destaca-se o coletivo lisboeta LATA 65. A sua iniciativa tem a particularidade de se dirigir a pessoas idosas, numa tentativa de aproximar este público à sua forma de arte, tradicionalmente mais ligada a jovens. “Achamos que seria uma boa aposta para incluir nesta programação e abranger todas as faixas etárias. Esta área não é usualmente praticada por pessoas mais velhas, que não tenham tido contacto nenhum com esta técnica”, referiu a responsável da Porto Lazer.

A atividade será orientada por Lara Seixo Rodrigues e terá uma duração de oito horas, dividida em duas metades a decorrerem entre as 16h e as 20h nos dois dias do Up Street Porto. Aconselha-se a quem conhecer interessados na participação deste workshop que proceda à sua inscrição o mais rapidamente possível, visto os lugares estarem prestes a esgotar. Para tal, deverá enviar um email para arteurbana@portolazer.pt.

Haverá ainda mais dois workshops em cada um dos dias do fim de semana. No sábado, dia 28 de novembro, o primeiro desses terá início às 16h. Orientado pelo par portuense Chei Krew, tem como tema “Desenhar com Formas” e pretende criar arte abstrata a partir do uso de figuras geométricas simples para a construção da obra. O workshop seguinte, com início às 18h30 tem por nome Caligrafia e será lecionado pelo estúdio Xesta. No domingo 29 de novembro, o primeiro dos workshops terá orientação de Frederico Draw e nome “Riscar no Vidro”, enquanto o segundo, liderado por GODMESS entre as 18h30 e as 20h, terá como propósito desenferrujar mentes criativas. Estes quatro eventos já não têm inscrições possíveis visto que as mesmas encontram-se completas.

O Up Street Porto insere-se como parte do programa de arte urbana da câmara do Porto, que segundo Cláudia Melo tem tido “grande procura por parte do público”. A responsável acrescentou ainda que “houve uma completa aceitação” desse programa por parte da população, ao olhar para a adesão às atividades durante o ano. “As pessoas estão muito curiosas relativamente à arte urbana e a aceitação é extremamente positiva”, revelou. Por isso, o programa de arte urbana irá seguir no ano de 2016. “É certeza que ele continuará”, afirmou a diretora artística.

Quanto à sua programação, que pelo que o JPN apurou se encontra quase concluída, será desenvolvida pelas mesmas entidades e continuará a chamar artistas locais para as suas instalações, juntando-se aos convites que efetuados a outros artistas nacionais e internacionais para deixarem a sua marca na Invicta.