O desporto universitário enfrenta alguns desafios. Um deles é a falta de financiamento por parte do Estado. Na Federação Académica do Desporto Universitário (FADU), os cortes financeiros já se fizeram sentir. “Esses cortes hipotecaram alguns projetos, algumas noções e algumas ideias de desporto universitário”, explicou ao JPN, Daniel Monteiro, presidente da federação.

“A FADU teve que diminuir o número de recursos humanos”, refere Daniel Monteiro. Essas penalizações tiveram efeitos práticos: “A própria FADU não consegue, internamente, fazer face ao seu nível de atividade diária. É impossível com a atual dimensão, com o atual número de provas, com a representação internacional que a FADU tem”, acrescenta.

Além disso, Daniel Monteiro conta que uma das áreas mais afetadas foi a do “apoio da FADU diretamente aos clubes no âmbito das atividades internas”.

A Juventude Social Democrata (JSD) apresentou algumas medidas ao Governo no sentido de ser aumentado o financiamento da FADU. O objetivo é que “o financiamento ao desporto universitário por via dos contratos-programa de apoio à FADU seja reforçado”, como pode ler-se na proposta apresentada.

O projeto de resolução prevê que o financiamento seja dado de acordo com o cumprimento de metas e objetivos. Bruno Almeida, presidente do Centro de Desporto da Universidade do Porto (CDUP), defende que essas metas devem estar “claramente definidas e acordadas”. Na sua opinião, as metas não devem passar por conquistas. “Acho que é muito mais importante desenvolver uma atividade para o aumento da prática desportiva. Parece-me mais lógico”, acrescenta.

O presidente da FADU considera que, com ou sem objetivos, o Estado não se pode desresponsabilizar em matéria de financiamento: “A FADU está disponível para abraçar metas e objetivos, mas contando com o Estado na sua responsabilização de financiar o desporto universitário para o cumprimento desses mesmos objetivos”.

O projeto de resolução da JSD não passa apenas pela questão do financiamento. O documento recomenda que o Estatuto do Estudante-Atleta seja legislado e pede que “o seguro escolar seja estendido às atividades desportivas”.

“O Estatuto do Estudante-Atleta é algo reivindicado pela FADU há muitos anos”, assegura o presidente da federação. “É verdadeiramente importante quando nós queremos relevar  o papel do praticante desportivo, do atleta federado ou que simplesmente pratica desporto universitário, é necessário integrá-lo e dar-lhe acompanhamento e suporte no âmbito da sua atividade escolar e académica”, reforça Daniel Monteiro.

O líder da FADU esclarece no que pode facilitar esse estatuto: “Na entrega de trabalhos mais tarde, realização de exames noutras datas que não coincidam com participações desportivas”, por exemplo. E lembra: “há instituições que já o fazem internamente”.

A Universidade do Porto é uma dessas instituições. No caso do seguro escolar, a UP também já garante o alargamento à prática do desporto. “O seguro escolar de todos os estudantes da Universidade do Porto é também seguro desportivo. Isto já está acautelado há mais de oito ou nove anos”, esclarece Bruno Almeida.

O alargamento do seguro escolar é, nas palavras de Daniel Monteiro, importante: “Um jovem que esteja matriculado no Ensino Superior e que queira seguir e ter alguma prática desportiva necessita de um seguro escolar com as coberturas mínimas”, refere.

“É uma forma de as universidades e institutos darem a importância devida a quem pratica desporto”, defende o presidente do CDUP.

“O desafio é que haja cada vez mais estudantes que pratiquem desporto”

As dificuldades financeiras são um dos entraves ao desenvolvimento do desporto universitário, mas o futuro passa por outros desafios.

Os serviços desportivos dentro das instituições de Ensino Superior têm um papel fundamental para o desporto universitário. “É muito importante para haver estruturas mais fortes, dentro das instituições, que dêem apoio não só às associações de estudantes e associações académicas, mas para desenvolver, de uma forma continuada, um plano de ação desportiva”, explica Bruno Almeida.

O presidente da FADU acredita que o trabalho começa mais cedo. “Terá de se valorizar a educação física no Ensino Básico, para que, de facto, exista geracionalmente cada vez mais esse reconhecimento do desporto”.

“Quando nós temos as maiores taxas de abandono desportivo entre os 17 e os 19 anos, idades coincidentes com a entrada dos jovens no Ensino Superior, diz bem do que tem sido o papel da ligação do desporto à educação”, esclarece.

O objetivo é que “cada vez mais atletas consigam conciliar a sua carreira desportiva com a sua carreira académica”, explica o presidente da FADU. Deste modo, Daniel Monteiro defende que deve existir uma “valorização das carreiras duais: desportivas e académicas”.

O caminho passa, ainda, pela mudança de mentalidades em relação ao desporto. As instituições de Ensino Superior devem considerar a prática desportiva, na opinião de Bruno Almeida “como um dos pilares fundamentais do desenvolvimento integrado do estudante”.

Esta ideia é, também, fundamentada por Daniel Monteiro: “É importante que se valorize a conciliação e o papel do desporto na formação do indivíduo”, defende.

O grande desafio é, no fundo, “que hajam cada vez mais estudantes que pratiquem desporto”, segundo o presidente do CDUP.

 

 

Artigo editado por Filipa Silva