Os concursos de escrita não são uma novidade para Ana Cunha. Estreou-se quando era mais nova numa iniciativa da revista “Visão Júnior”. O prémio Aldónio Gomes da Universidade de Aveiro (UAv) já é o segundo que ganha este ano, depois de vencer outro concurso, promovido pelo Instituto Universitário da Maia (ISMAI).

Descontrolo: Quebrar a rotina torna-nos “mais humanos e mais livres”

Os relógios de todo o mundo estão baralhados e as horas não coincidem. As rotinas e o tempo como o conhecemos deixaram de existir. Este é o cenário que Ana Cunha pinta no livro premiado onde conta a história de quatro personagens: uma rapariga perfecionista que frequenta o ensino secundário, um artista, um homem de negócios e um homem solitário que costuma passar os seus dias numa biblioteca.

“Todos eles têm algumas rotinas marcadas, menos o artista que é uma pessoa que vive livremente, e o livro analisa exatamente como é que estas pessoas lidam com a perda das horas e como é que se quebram essas rotinas, como é que podem viver descontroladamente”, explica a autora ao JPN.

O ponto central do livro é a gestão do equilíbrio entre o controlo e o descontrolo que a jovem acredita ser essencial para a condição humana. “Quebrar a rotina e fazer uma coisa descontrolada, fora do panorama, fora da caixa também é importante e torna-nos mais humanos e mais livres”.

“Temos que aprender com os outros”

Ana Cunha sempre gostou de ler. Assumidamente eclética prefere autores como José Saramago, JK Rowling e Agatha Christie, mas adianta que gosta de entrar na cabeça do outro e aprender com o que outras perspetivas têm para lhe ensinar: “Um bom escritor tem que ler, ler muito, porque temos que aprender com os outros”.

A estudante de teatro na Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo (ESMAE) já publicou um livro: “Dez, o rapaz cresceu” e a sua escrita baseia-se no questionamento do quotidiano. Gosta de passar o resultado das suas observações para o papel e define-se como “realista”, apesar de sublinhar o caráter surrealista da sua última obra.

O teatro serve-lhe de ferramenta para criar personagens, porque as entende por dentro. “Consigo realmente perceber as minhas personagens, porque eu própria desempenho personagens diariamente. Quer a escrita quer a representação estão de mão dada e, portanto, consegui conjugar os dois mundos”, desvenda.

A escrita: Um vício para ir alimentando

A paixão pela escrita começou cedo, motivada pelo gosto de criar novas realidades e de fugir ao que é padrão. “Escrevo porque gosto de criar. O ser humano, tendo a possibilidade de criar realidades alternativas, deve apostar nisso. Através da arte conseguimos melhorar um bocadinho a realidade ou fazer com que as coisas aconteçam à nossa maneira”, conta.

Apesar do vício pelas palavras, a estudante não se imagina a viver delas, mas garante que o seu caminho pelo mundo dos livros ainda não terminou “Acho que [a escrita] é uma atividade um bocadinho solitária, mas é uma coisa que quero continuar a fazer e espero fazer algum dinheiro com isso e ser reconhecida.”, remata.

Artigo editado por Sara Gerivaz