A Direção-Geral da Saúde (DGS) avança, esta sexta-feira, a existência de mais um caso de doença do legionário na fábrica de componentes automóveis da Sakhti Portugal, na Maia.

Em comunicado, publicado no site da entidade, consta que “a totalidade do cluster passa a incluir cinco doentes”, associando-os a “exposição ocupacional previamente identificada”.

A DGS garante que, de acordo com “os trabalhos conduzidos pela Inspeção-Geral do Ambiente (IGAMAOT)”,  a unidade fabril “está em condições de continuar a laboração, visto que os trabalhos de desinfeção foram, entretanto, concluídos”.

O estado de alerta para a população em geral mantém-se, de acordo com a DGS. No primeiro comunicado emitido sobre o assunto, na terça-feira, a entidade referiu que “estão a ser tomadas todas as medidas adequadas à situação” pelo que “os cidadãos residentes no concelho da Maia não necessitam de adotar medidas específicas e adicionais”.

Cinco casos notificados numa semana

Ao longo desta semana foram anunciados cinco casos de legionella na Maia. O primeiro foi divulgado publicamente na segunda-feira. No dia seguinte, a DGS emite um comunicado no qual confirma a existência deste caso e de outro. Na quarta-feira, mais dois casos de pessoas infetadas foram anunciados, em momentos diferentes do dia. Subiram assim para quatro os casos detetados, encontrando-se outros seis em observação.

Dos casos diagnosticados, as informações da DGS dão conta de um internamento no Hospital de São João e outro no Hospital de Santo António, ambos no Porto. Na nota divulgada esta sexta-feira não é feita qualquer referência ao estado de saúde dos pacientes.

A Sakthi foi alvo, na segunda-feira, de uma ação inspetiva extraordinária da Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT), cujos resultados “revelaram a ausência de legionella pneumophila em todas as amostras recolhidas, pelo que se confirma que a empresa se encontra a dar cumprimento ao plano de manutenção das instalações”.

“Não se verifica assim qualquer risco decorrente destas e, por essa razão, não se justifica a adoção de quaisquer medidas subsequentes”, considerou ainda a entidade do Ministério do Ambiente.

No dia em que os primeiros casos foram tornados públicos, o presidente da Câmara Municipal da Maia, Bragança Fernandes, não ficou satisfeito com o facto de a DGS não ter informado a autarquia.

“Acho grave que não avisem a Câmara. Não sabemos de nada. Devíamos ter sido alertados para acionarmos meios no sentido de salvaguardar a população”, declarou na terça-feira o presidente da autarquia à Agência.

Artigo editado por Filipa Silva