O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, vai avançar com uma taxa turística para a cidade. O autarca do Porto deu uma entrevista ao Observador esta quinta-feira na qual explicou que a sua decisão tem um objetivo: “Precisamos de atenuar a pegada turística”, disse Rui Moreira.

Quando questionado sobre se ia seguir o mesmo caminho de António Costa e instaurar no Porto uma taxa turística, Rui Moreira não teve dúvidas. “Vou, vou, vou”, afirmou o autarca. Em fevereiro, o presidente da Câmara já admitia que, se vencesse as eleições autárquicas, avançaria com uma taxa. Na altura, calculou que esta poderia chegar aos dois euros por pessoa, o dobro do valor praticado atualmente em Lisboa.

A taxa turística começou a ser aplicada na capital a partir de 1 de janeiro de 2016. Desde então, para dormir num empreendimento turístico da capital, cada pessoa tem de pagar um euro por noite. No grupo dos isentos da taxa estão os menores de 13 anos. Também não pagam “os hóspedes cuja estada seja motivada pela obtenção de serviços médicos, estendendo-se esta isenção a uma pessoa que esteja a fazer o acompanhamento do doente”, esclareceu na época o vereador das Finanças da Câmara de Lisboa, João Paulo Saraiva, citado no “Público”.

Recandidatura às eleições

Rui Moreira concorre para um segundo mandato à frente da Câmara do Porto com o movimento que lançou em 2013, “Porto, O Nosso Partido”. O movimento demarcou-se, na semana passada, do apoio inicialmente avançado pelo Partido Socialista (PS), facto que motivou uma acesa polémica nos últimos dias e que tem estado no centro das várias entrevistas dadas pelo responsável neste período.

O independente reafirmou ao Observador que a decisão não partiu de si: “Para os que achavam que fui eu a tomar a decisão arrogante de rachar [o apoio], ficou claro que foi o Partido Socialista”.

“Há pessoas do PS na nossa campanha que vão preferir a nossa candidatura e vão andar connosco”, afirmou Rui Moreira.

Depois de ficar com o segundo lugar da corrida nas eleições autárquicas de 2013, o PS formou uma coligação pós-eleitoral com o vencedor, Rui Moreira, tendo o cabeça-de-lista Manuel Pizarro ficado como uma espécie de número dois do executivo camarário. O PS ficou, em resultado do acordo firmado, com as vereações da Ação e Habitação Social e com a do Urbanismo.

Manuel Pizarro, que já tinha justificado publicamente o apoio do PS à candidatura de Rui Moreira, regressou, na sequência das declarações de Ana Catarina Mendes e da reação por elas provocada no movimento de Rui Moreira, à condição de cabeça de lista do PS, que assim se apresenta com candidatura própria às eleições.

Rui Moreira reafirmou, nesta entrevista, a boa relação de trabalho com Manuel Pizarro. “Havia pouca coisa em que estávamos em desacordo”, disse o presidente da Câmara do Porto.

Rui Moreira afirmou ainda que na sua candidatura “cabem todos, os que têm partido e os que não têm”. O seu movimento avança com o apoio do CDS-PP.

Artigo editado por Filipa Silva