Em 1923, nascia a obra “Os Pescadores” do escritor e jornalista Raul Brandão. O autor, natural da Foz do Douro (antiga freguesia do Porto), embarcou numa viagem pelas zonas piscatórias do país. 150 anos após o nascimento do escritor, o JPN foi descobrir como estão duas destas zonas e a sua gente: a Foz e a Afurada.

Uma viagem à Foz e à Afurada de Raul Brandão: mudaram, mas não esqueceram o passado. Foto: Catarina Reis

As raízes feitas no mar

Os dias na pesca começaram cedo para Manuel, Abraão e António, na Afurada. A cerca de seis quilómetros da zona piscatória, fica a Foz, hoje convertida num parque de canas de pesca — o passatempo dos irmãos Cardoso.

Os filhos da terra já não querem as ondas

Para os pescadores mais velhos, o peso da idade já obriga a deixar a pesca como trabalho. Os jovens não escolhem esta profissão como alternativa e aumenta a incerteza do que será feito da profissão dentro de alguns anos.

As mulheres ao leme ainda dividem opiniões

Ao mar, só os homens. Foi assim a tradição durante muitos anos. Já há mulheres que partem nos barcos em busca do peixe, mas não suficientes para quebrar as raízes. Para alguns, a mulher nunca deve acompanhar o homem no trabalho. Outros, já alimentam a mudança.

Em terras de pescadores, muitas são as histórias que ficam. Desde os dias de Raul Brandão, tanto o mar como a terra mudaram. Vivem-se hoje tempos de incerteza. Nascido a 12 de março de 1867, na cidade do Porto, Raul Brandão foi um célebre autor, tendo publicado influentes obras literárias como “Húmus” (1917) e “As Ilhas Desconhecidas” (1926).

Artigo editado por Rita Neves Costa