Foi no segundo dia do ano que Diogo Piçarra anunciou a chegada de um novo trabalho. “Do=s” [Dois] ainda não tinha saído e já um novo single tinha sido lançado – não fosse esse o dia que marcava o início da história do novo álbum.

História” chegou ao número 1 do iTunes rapidamente, e quase um mês antes do lançamento do álbum, a pré-venda alcançava já o primeiro lugar do serviço da Apple.

“Dois”, referiu o artista antes do lançamento do seu novo trabalho, “simboliza tudo de bom e mau numa relação a dois”, sendo ele “um só, tal como acontece quando duas pessoas se juntam”.

Há dois anos, após ter vencido o Ídolos, o artista lançou “Espelho“, o seu primeiro álbum de estúdio que logo atingiu o primeiro lugar do top nacional de vendas.

Agora em digressão pelo país, com mais de 20 atuações garantidas e outras ainda por revelar, o JPN esteve à conversa com o artista em Faro, na sua terra natal, naquela que foi a sua segunda atuação numa Semana Académica do Algarve.

O sucesso de verão e a criação de “Do=s”

Para os ouvintes de “Espelho”,  “Dois” surge numa versão mais eletrónica, deixando para trás o acústico e analógico a que os ouvintes estavam habituados. Diogo considera isto uma “evolução natural”, referindo que a eletrónica “sempre esteve um pouco presente” nas suas composições.

“…vestia-me de maneira diferente, cantava e escrevia de maneira diferente. Dois anos deu para mudar muita coisa.”

“O analógico e o acústico destacaram-se mais no primeiro disco, mas sempre fui mais eletrónico: joguei mais pelo seguro no primeiro disco e no segundo decidi jogar todas as cartas. Não tive medo de segundas opiniões ou das pessoas estranharem essa mudança.”

Assim, e após o lançamento do sucesso de verão “Dialeto“, o artista diz ter encontrado o seu (novo) ritmo, percebendo que “as pessoas receberam muito bem a música”. “Não é um ‘Tu e Eu‘”, refere, “mas teve o mesmo impacto que a ‘Tu e Eu’, só que noutro estilo”.

Capa de “Dois”, o segundo álbum de Diogo Piçarra Foto: Diogo Piçarra Fonte: Diogo Piçarra

Agora, Diogo Piçarra diz estar contente por ter tomado esse risco, apesar de ter sentido alguma pressão em conseguir alcançar o sucesso que teve com o seu primeiro trabalho.

“Senti a pressão, porque o primeiro disco correu muito bem: em termos de tournée, em termos de visibilidade, em termos de comentários, crítica…. E há sempre essa pressão enorme do que é que iria acontecer no segundo disco, do que é que eu poderia fazer no segundo disco para superar o primeiro. A primeira coisa que passa pela cabeça de um artista é tentar copiar os seus sucessos. Repetir fórmulas. Mas realmente eu pensei duas vezes e não fazia sentido: a música que eu ouvia não era a mesma, as influências não eram as mesmas, vestia-me de maneira diferente, cantava e escrevia de maneira diferente… Dois anos deu para mudar muita coisa. Então decidi: vou fazer diferente.” E fez.

“Gosto de sentir isso, gosto de sentir que há também uma mudança de opiniões e que, de certa maneira, estou a marcar, estou a criar alguma coisa.”

Tendo consciência que não agrada a todo o público, Diogo Piçarra diz que o mais gosta de sentir é que há também “uma mudança de opiniões”. “De certa maneira, estou a marcar, estou a criar alguma coisa”, considera.

“[Antes] haviam pessoas que gostavam do ‘Espelho’ e já não gostam do ‘Dois’. Agora, há pessoas que não gostavam do ‘Espelho’ e a quem o ‘Dois’ surpreendeu”.

Com o seu novo trabalho, Diogo Piçarra diz sentir-se “um pouquinho mais ouvido”, criando uma legião de seguidores maior do que anteriormente com “Espelho”. “O público é um bocadinho mais jovem e as próprias canções são mais leves, mais comerciais. Sempre fui comercial, sempre procurei refrões ‘orelhudos’, sempre procurei versos e letras simples.”

Olhando para trás, o cantor e compositor refere que é em “Espelho” que estão as músicas da sua vida: “Aquele disco, quando o oiço, lembro-me de tudo aquilo: da luta, desse querer vingar, querer aparecer, querer ser ouvido… E quando ouço essas músicas, fazem-me lembrar de todo este percurso, desta luta. E vai ser sempre especial.”

A passagem pelo Porto

Confirmado para o primeiro dia do Marés Vivas (14 de julho), e já com concerto marcado no Coliseu, dia 27 de outubro, Diogo Piçarra refere que o Porto é a sua segunda casa, “uma das cidades preferidas” para tocar.

Relembrando o seu percurso pela Invicta, onde já tocou no Hard Club, na Casa da Música e na estação de metro com o mesmo nome, Diogo refere já estar a talhar esse concerto que acontece  uma semana antes do de Lisboa. “A tournée vai acabar nesses concertos e depois aí vou apresentar um espetáculo diferente: com convidados, com vídeos, luzes… Vai ser tudo novo, vai ser uma noite mágica.”

Com 26 anos, Diogo Piçarra é um dos artistas mais importantes da pop nacional, contando com uma legião de fãs que seguem periodicamente o seu trabalho através das redes sociais. Tendo ganho este ano ainda o prémio de Melhor Single Nacional,  nos “Melhores do Ano”, com “Dialeto”, o artista promete não ficar por aqui, tendo recentemente participado em músicas de Mia Rose e Paulo de Carvalho.

Artigo editado por Filipa Silva