Antes do compromisso da Taça das Confederações, impunha-se uma vitória em Riga para continuar a sonhar com o primeiro lugar do grupo B de qualificação para o Mundial da Rússia de 2018. Assim o fez Portugal, ao vencer por 3-0 a Letónia somando agora 15 pontos, menos três que a Suíça, que é líder. Cristiano Ronaldo e André Silva marcaram os golos.

Mais lesões e mais dores de cabeça

Portugal partiu para este encontro com novidades desagradáveis do departamento clínico: Pepe lesionou-se antes do encontro – dando o seu lugar no onze a Bruno Alves – e João Mário é carta fora do baralho, inclusive para a Taça das Confederações.

Fernando Santos havia perdido mais uma importante peça do meio-campo português, apesar da necessidade de cortar um dos 24 pré-selecionados para a competição na Rússia. “Preferia ser eu a tomar a decisão”, lamentou o engenheiro na antevisão do encontro.

Início tremido, mas dominador

Portugal começou com alguma dificuldade em conter os ataques rápidos da Letónia. Passes mal feitos, alguma indecisão nas zonas mais críticas do meio-campo e consequente aumento da confiança da seleção da casa tornaram os primeiros 10 minutos mais difíceis.

Mas os campeões da Europa responderam com bons ataques, fluídos e perigosos. Portugal estava decidido a tomar as rédeas do encontro e a fazer o seu trabalho de vencer, antes de rumar à Rússia para a Taça das Confederações. Exemplo disso foi o remate de longe de Cristiano Ronaldo aos 24’, para boa defesa do guarda-redes Vaninis.

Após a reação aos primeiros minutos, Portugal exerceu um domínio mais suave. Muita posse de bola e presença no meio-campo adversário, mas sem lances de perigo evidente. E é só perto do intervalo que a superioridade da equipa das quinas se materializa.

Após um longo lance de insistência no ataque português, André Gomes, no vértice da grande área, cruza de pé esquerdo para o cabeceamento de José Fonte – a bola bate no ferro – e a recarga de Ronaldo que assim fez o 1-0 aos 41’. Portugal regressava ao balneário mais tranquilo, até porque já sabia da vantagem da Suíça desde os 36’.

Eficazes no ataque, inseguros a defender

A entrada na segunda parte voltou a ser atribulada e a falta de critério nos passes voltou a caraterizar do jogo de Portugal. A Letónia procurava novamente contra-ataques rápidos e lances de bola parada, incluindo um livre direto batido por Lazinis aos 56’.

Aos 58’, Fernando Santos procedeu à primeira alteração no encontro ao tirar Gelson e colocar Quaresma. O camisola 18 não fez um jogo ao nível de exibições anteriores e o “Harry Potter” mostrou rapidamente que Fernando Santos acertou na troca. Aos 63’, arranca pela direita e cruza para involuntariamente Jagodinkis desviar para Cristiano Ronaldo. 2-0 aos 63’ e o jogo parecia mais resolvido. Algo necessário, dado que a Suíça havia marcado o segundo golo também minutos antes.

E a resolução do jogo chegou mesmo a seguir, com André Silva. Uma recuperação de bola na meia-lua da área da Letónia, aparentemente fácil, trouxe o 3-0 aos 67’. Por esta altura, já a seleção da casa sentia o custo físico de jogar com um ritmo tão intenso. Algumas caibras e o cansaço físico generalizado já não permitiam disputar mais o resultado.

Por outro lado, Portugal segurava mais a bola, ao mesmo tempo que se aventurava pontualmente em lances mais elaborados e pormenores técnicos de alta nota artística. Ronaldo e companhia faziam valer assim o preço do bilhete aos mais de 8 mil espectadores que assistiram ao jogo no Estádio Skonto.

Com este panorama, Fernando Santos optou por trocar mais dois jogadores. Era preciso baixar o ritmo da partida e fazer descansar algumas peças para melhor preparar a Taça das Confederações.

Para isso, trocou Nélson Semedo por Cédric Soares aos 73’ e Naninpor André Silva aos 79’. Até ao final do encontro, Portugal controlou a bola e fez descer a intensidade do jogo. Ambas as equipas pareciam aceitar o resultado e estavam à espera do apito final do árbitro.

“Fizemos o nosso trabalho e continuamos na luta”

Na zona de entrevistas rápidas, André Silva assumiu que se sentiu “feliz por marcar mais um golo” e que o segredo da seleção das “quinas” reside no treino e no entrosamento entre todos. “Entendemo-nos todos bem dentro de campo. É graças a nós e ao nosso treino que fazemos as coisas que fazemos.”

Ricardo Quaresma referiu que se sente muito bem por poder ajudar a equipa, a titular ou a partir do banco. “É sempre um prazer jogar e ajudar a equipa. Só tenho de respeitar as decisões do treinador.” O “Mustang” falou ainda da importância de continuar a pressionar a Suíça, oponente direto de Portugal, e do orgulho em representar o país pela primeira vez na Taça das Confederações. “Fizemos o nosso trabalho e continuamos na luta. É um orgulho enorme poder jogar a Taça das Confederações”, declarou.

Fernando Santos reconheceu que a Letónia deste encontro nada teve a ver com a que se apresentou em novembro, no Algarve. O selecionador justifica essa mudança com o “fator casa” e a demora da equipa em encontrar equilíbrio nas suas linhas. “O jogo em Portugal foi muito diferente, aqui tentaram pressionar mais alto e atacar mais vezes. É normal, aqui jogam em casa. Demoramos um bocado a abrir as linhas. Tivemos dificuldade em encontrar espaços na defesa deles. Na segunda parte, ajustamos melhor os nossos laterais. Tivemos a circulação de bola mais rápida e fomos um justo vencedor”, analisou o selecionador nacional.

Portugal está no segundo lugar do grupo B com 15 pontos, menos três que a Suíça. Estão completos seis jogos, faltam quatro para fechar a qualificação para o Mundial da Rússia. Ilhas Faroé (em casa), Hungria e Andorra (fora) e Suíça (em casa), são os jogos que restam à seleção Portuguesa que fecha esta fase de apuramento a 10 de outubro.

Para o Mundial da Rússia seguro, diretamente, os vencedores dos grupos. Para os oito segundos classificados com melhor registo diante do primeiro, terceiro, quarto e quinto classificados está reservado um play-off de apuramento.

Artigo editado por Filipa Silva