Falta pouco menos de um mês para a cidade do Porto receber o Europeu Universitário de Futebol, uma das maiores competições do calendário anual da Associação Europeia do Desporto Universitário (EUSA, na sigla inglesa). Para saber melhor o que vem aí, o JPN reuniu um conjunto de 10 questões para explicar que evento é este e como está organizado.

É a primeira vez que o Porto recebe um campeonato internacional universitário?

Não. O Campeonato Europeu Universitário (CEU) de Futebol é o quinto do género na Invicta. A cidade já acolheu em 2010 o Campeonato Mundial Universitário (CMU) de Rugby 7; em 2013 o CEU de Vólei de Praia; em 2014 o CMU de Vólei de Praia e em 2016 o CMU de Floorball; O de rugby e o de futebol são, contudo, os que envolvem mais participantes.

Quantos participantes vai ter este Europeu?

Mais de 500. Quinhentos e trinta para ser mais preciso. São 16 equipas masculinas e 12 femininas. No quadro masculino, joga-se futebol de 11; no feminino, o futebol é de sete. Há 14 países representados e 26 instituições de Ensino Superior envolvidas. Quinze árbitros estrangeiros vão também juntar-se.

Quando é que se realiza o campeonato?

De 23 a 30 de julho, dentro de três semanas, portanto. O primeiro dia, que é um domingo, tem na agenda o sorteio para distribuir as equipas pelos grupos e a reunião técnica. É ainda neste dia que é realizada a Cerimónia de Abertura que a organização pretende que seja na Avenida dos Aliados. Já a cerimónia de entrega de prémios e encerramento terá lugar no Parque Desportivo de Ramalde, vulgo Campo do INATEL, no dia 30.

Há equipas portuguesas envolvidas?

Sim. Cinco no total. Apuradas diretamente são quatro, duas no masculino e duas no feminino. No torneio masculino, têm direito a participar a Universidade de Évora, enquanto campeã nacional universitária da modalidade; e a Universidade Católica Portuguesa-Centro Regional do Porto, esta última na qualidade de equipa anfitriã, por ter sido a equipa da cidade do Porto que melhor classificação obteve no CNU da modalidade – foi quarta classificada.

No feminino, apresentam-se as equipas da UP e do IPP. A primeira é campeã nacional em título, a segunda é vice-campeã e chega a este campeonato para ocupar a vaga de equipa anfitriã.

No quadro masculino, Portugal tem ainda a Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM) que foi campeã europeia universitária em 2016 – foi, aliás, a primeira vez que Portugal venceu este campeonato. O título europeu não dá acesso direto – os regulamentos da EUSA dão prioridade aos campeões nacionais – mas numa segunda fase, os campeões em título são convidados a participar caso seja deixada em aberto alguma vaga por alguma país europeu. Assim aconteceu. É também por esta razão que alguns países vão ter mais do que uma equipa, casos da Alemanha e da França que puderam inscrever os segundos classificados dos seus campeonatos nacionais por haver vaga.

Onde vão ser disputados os jogos?

Os jogos vão ter lugar em cinco recintos desportivos. Dois em Gaia, dois em Matosinhos e um no Porto. Em Gaia, no Complexo Desportivo do Candal e no da Lavandeira (ver mapa); em Matosinhos, no Complexo Desportivo de Leça da Palmeira e no campo do Custóias. O Complexo Desportivo de Ramalde, vulgo campo do INATEL, no Porto, além de receber alguns jogos vai também servir de palco das finais e das cerimónias de encerramento. O campo de Leça e o da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto servem de apoio para treinos.

E a dispersão geográfica, não é problemática?

A organização assume que é na logística que reside o grande desafio da prova. Há cinco instalações desportivas, quatro residências (duas no Campo Alegre e duas na Asprela), e três cantinas (uma no Campo Alegre e duas na Asprela) para ligar. “O que tínhamos obrigação de fazer, e cumprimos essa exigência, é que os campos não ficassem a uma distância superior a 20/30 minutos de transporte do alojamento. As residências onde os atletas vão ficar são centrais. No caso das da UP são no Campo Alegre e têm acesso facilitado à VCI e como tal a Gaia e mesmo a Matosinhos; o que tentamos foi arranjar os campos com as melhores condições para a prática e que tivessem os acessos mais facilitados tendo em conta as residências”, explicou ao JPN Nuno Loureiro, da Comissão Organizadora.

E o Estádio Universitário do Porto? Por que razão não foi considerado?

Porque não reúne as condições mínimas para acolher uma competição. A história é antiga e no que todos conseguem concordar é que o campo de futebol e toda a envolvente precisam de obras profundas de reabilitação. De acordo com Bruno Almeida, do Centro Desportivo da Universidade do Porto (CDUP), a UP “foi a principal promotora deste campeonato da Europa porque era intenção também aproveitar o campeonato para avançar com as obras” e recuperar o espaço. Assim não aconteceu porque o concurso lançado pela universidade tendo em vista a reabilitação do Estádio, no início de 2013, acabou embargado. “Foi para tribunal e como tudo na Justiça, arrastou-se demasiado e não pudemos recuperar o Estádio como queríamos”. Mas há luz ao fim do túnel, segundo o responsável: “O Pavilhão já está recuperado e julgo que no próximo ano, ano e meio, temos a parte do relvado concluída”.

“Temos as coisas a andar. O projeto para o Estádio está em grande desenvolvimento e acho que ainda este ano vamos lançar alguns concursos para esta parte infraestrutural do complexo”, avançou ainda.

A UP e o IPP, que fizeram parte de todo o processo de candidatura, deixaram a Comissão Organizadora. Porquê?

Porque a escolha da equipa que vai representar a cidade do Porto no torneio masculino não foi consensual. A UP e o IPP, envolvidas desde o primeiro momento na candidatura, entendiam que devia ser uma equipa da UP ou do IPP – saída, por exemplo, de um uma competição prévia organizada especialmente para o efeito – a representar a cidade do Porto; a Federação Académica do Desporto Universitário (FADU) entende que, à luz dos regulamentos, o lugar deve ser ocupado pela equipa da cidade que melhor resultado tenha obtido no CNU,  e neste caso foi a Universidade Católica do Porto a melhor classificada, tendo obtido o quarto lugar.

“Nós e o IPP não concordaríamos que numa organização em que tivéssemos envolvidos não pudéssemos ter a possibilidade sequer de participar com uma equipa”, explicou Bruno Almeida do CDUP ao JPN. “É um critério regulamentar”, contrapõe Daniel Monteiro, presidente da FADU, ao JPN. “Não foi nem é nada de novo”, rematou.

Apesar da saída da comissão organizadora, as duas instituições continuam ativamente envolvidas na organização. É nas residências destas instituições que os participantes vão ficar alojados, é em cantinas universitárias que se vão alimentar. “Queremos mesmo que corra bem e estaremos cá para ajudar se for preciso”, concluiu por sua parte Bruno Almeida.

Voluntários, há?

Sim, 120 até ao momento, mas a contagem não está fechada “porque toda a ajuda é importante e necessária”, diz Nuno Loureiro. As condições de participação podem ser encontradas aqui.

Portugal tem sucesso no desporto universitário internacional?

Depende das modalidades, mas algumas há em que o país tem um historial de que se pode orgulhar. É no andebol, no futsal e no rugby de 7 que o país tem melhores resultados em termos de modalidades coletivas, mas o medalheiro internacional é variado e contempla muitos títulos em modalidades como o taekwondo ou a canoagem.

No plano europeu, destaque para os quatro títulos obtidos pela AAUM no andebol; No contexto de campeonatos do mundo, destaque para os títulos obtidos por seleções nacionais universitárias no andebol (2014), no rugby de 7 (2010) e no futsal (2008). De resto, este é ano de Universíadas, os jogos olímpicos para estudantes universitários onde Portugal já conquistou várias medalhas por atletas como Nélson Évora, Sara Monteiro ou Fernando Pimenta. Nota ainda para o título da Universidade do Porto obtido em 2015 no futebol de 7 feminino.