A história da pizza não tem um ponto de origem consensual: alguns indicam os egípcios como inventores, ao misturarem a farinha com água; outros acreditam que começou na Grécia, com massas à base de farinha de trigo cozinhadas em tijolos quentes.

Só muito mais tarde é que os italianos, reconhecidos mestres pizzaiolos, adotaram para a culinária napolitana o multifacetado prato. Depois, a pizza entrou na rota gastronómica portuguesa e, em 2016, Portugal foi mesmo reconhecido com o título de melhor pizza do mundo, no Campeonato Mundial de Pizzaiolos.

O Pizzaiolo

O pizzaiolo, ou pizzeiro, como se diz em Portugal, tem um trabalho que exige “engenho e arte”. Que o diga Luís Moura, de 44 anos, que faz pizzas há dois anos. Pizzeiro e gerente de uma pizzaria, gosta do trabalho e reconhece que fazer uma boa massa não é para todos. “A pizza é aberta nos nossos braços”, diz, para ilustrar a dificuldade de conseguir uma base macia mas crocante.

Luís Moura faz pizzas há dois anos.

Luís Moura faz pizzas há dois anos. Foto: Filipe Santiago Lopes

Adaptadas à tradição e ao paladar portugueses, Luís Moura acredita na popularidade desta opção em Portugal. “Acabar em pizza” é um termo utilizado para descrever o momento de partilha e tertúlia em roda de uma mesa enquanto se dividem as fatias por todos.

Em Portugal, a tradição da pizza está ligada aos convívios entre amigos, evitando os constrangimentos de tempo da cozinha elaborada, a jogos de futebol ou jantares em família. A pizza consiste em saber partilhar, comemorar, reunir.

“É uma comida rápida, não é muito má para a saúde, é barata e para toda a família”, descreve Luís Moura. E mesmo as novas tendências nutritivas mais “fit” parecem não abrandar o lume dos fornos a lenha das pizzarias. “Agora pedem-se mais pizzas vegetarianas, ou semi-vegetarianas”, mas continuam a aderir em massa. “A pizza veio para ficar e vai continuar em Portugal por muito tempo.”

Os entregadores

Mas, para que a pizza chegue a todas as casas, é necessário quem as transporte. Normalmente, em cima de duas rodas e de capacete.

Duas gerações diferentes, a mesma missão e as mesmas dificuldades. Rafael Teixeira, de 17 anos, está nas estradas há um ano. Já Paulo Pinhais, de 36, está nestas andanças desde 2002. Os dois trabalham para uma cadeia de restaurantes especializada.

As experiências que contam são diferentes, mas há muitos pontos em comum. A liberdade é o fator positivo que mais destacam na profissão. Gostam de andar na rua, de não se sentirem limitados por quatro paredes e de estarem em vários lugares num só dia.

Quem corre por gosto não cansa, mas é “o mau tempo” e “bastantes acidentes” que os vão travando pelo caminho. Para Rafael Teixeira, pior do que esses contratempos podem ser os “clientes complicados”.

“Uma vez tive um cliente que me fez ir trocar moedas para lhe dar troco de um cêntimo e eu tive de andar às voltas e voltas, porque estávamos a meio da noite, e eu tinha de encontrar moedas de dois e de um para lhe poder dar a diferença”, conta o jovem distribuidor.

Mesmo assim, Rafael ainda vai batendo a portas mais simpáticas. “Já temos clientes certos que nos dão gorjetas, clientes dos quais sabemos que vamos sempre receber alguma coisa. Já tive gorjetas de 20 euros, por exemplo. No Natal, principalmente no Natal!”.

O distribuidor de pizzas diz que as pessoas gostam dos entregadores, sobretudo as crianças, que lhes “acham muita piada”, opinião que é partilhada por Paulo Pinhais, que refere que as crianças adoram os capacetes, os uniformes e costumam abordá-lo e perguntar-lhe o nome.

A profissão de entregador também proporciona histórias engraçadas. Paulo conta que, uma vez, não conseguia passar por uma rua, porque “estava um camião a impedir a passagem”, por sua vez impedido por causa de um grande número de carros estacionados. Os carros eram de convidados de um casamento e a igreja estava ali ao lado. Paulo acabou por entrar no momento da “saudação de Cristo”, durante o qual, por norma, todos os presentes se cumprimentam. Uma família presente não o deixou sair antes de o fazer. “Enquanto não os cumprimentei a todos, não me deixaram sair da igreja”, conta, entre risos.

Para Paulo, apesar do respeito que sente por parte dos clientes, muitos não imaginam o risco que correm, porque não podem “ultrapassar os limites de velocidade”, mas têm de entregar  produto em boas condições.

Já Rafael sublinha que as pessoas “não fazem ideia da dificuldade que por vezes existe na simples entrega de uma pizza. Há dias em que é muito complicado entregar e quem está em casa reclama, muitas vezes, devido ao tempo de espera, sem saber o que se está a passar connosco.”

Por agora, vão continuar a acelerar e ainda vão bater a muitas portas, tudo para distribuir sorrisos pelos mais gulosos.

Artigo editado por Filipa Silva