O Portugal Fashion já conta com 41 edições e, tal como em anos anteriores, a Alfândega do Porto foi o local escolhido para encerrar o evento que traz a moda até ao Norte. Nuno Baltazar abriu a tarde de sábado – dia de encerramento do certame -, sendo seguido por Alexandra Moura, Pé de Chumbo, um desfile de marcas de sapatos, Lion of Porsches, Micaela Oliveira, Dielmar e finalizou com Ana Sousa.

O relógio marcava uns minutos depois das três da tarde quando se abriu a passerelle para Nuno Baltazar. Para a primavera/verão de 2018, o criador traz o romantismo para as suas criações, não fosse “L’Amant” o nome da coleção apresentada.

Camisas de seda esvoaçante, vestidos fluídos de renda e algodão, jumpsuits desconstruídos com crop tops incorporados em cores como o branco, preto, bege, azul ciano e verde caqui foram algumas das peças que se puderam ver no desfile do criador lisboeta.

Ao contrário da coleção apresentada no ano passado que puxava pelo imaginário de Frida Khalo, este ano, Nuno Baltazar, optou por algo menos sonhador, mas nem por isso com menos sofisticação.

Alexandra Moura

É na deterioração dos interiores de palácios e palacetes portugueses do século XVII, tal como nos detalhes interiores de peças de vestuário dessa mesma época, que Alexandra Moura se inspirou para a coleção apresentada este sábado.

Uma combinação entre detalhes subtis e românticos com um lado mais high-tech e desconstruído. Peças com formas marcantes, umas oversized, outras ajustadas, conjugando com atilhos, bolsos e apontamentos fortes e icónicos de outros tempos. Combinam malhas com texturas sofisticadas, tules e brocados, linho e algodão o que faz a ponte perfeita entre o clássico e o contemporâneo.

No que toca às cores, a criadora lisboeta optou pelos tons de crú, preto e vermelho que alia com padrões jacquard com motivos florais e com padrões de xadrez. Utiliza também tecidos danificados e desfiados que evidenciam os destroços do passado.

“É para quem tem a sua individualidade muito marcada, com um sentido estético especial”, explica a criadora ao JPN. Romântica é a palavra que utiliza para descrever a sua coleção.

Pé de Chumbo

A afirmação da mulher é o ponto de partida para a coleção da criadora Alexandra Oliveira.

As cores, neutras, cruas, em bruto, alternam o branco e o preto com tons de terra, ocre, palha e folhagem, fazem com que a coleção fique marcada pela sensualidade da forma, com pequenos apontamentos de nudez revelados por certas transparências.

Alexandra Oliveira apresenta nas suas peças novos conceitos e novas atitudes. É através da fusão entre a textura e forma que se consegue ver as técnicas muito próprias de produção da “Pé de Chumbo”.

A estação do sol é definida pela luz e a sombra que se concretizam em vestidos envoltos de mistério e sofisticação.

Shoes

Foram várias as marcas de calçado que estiveram presentes na 41ª edição do Portugal Fashion. O desfile foi dividido por várias marcas: Ambitious, Dkode, Fly London, J. Reinaldo, Nobrand e Rufel.

Arte urbana, romantismo, natureza foram alguns conceitos de inspiração para a criação das coleções destas marcas. Foram vários os modelos de sapatos, sapatilhas, saltos altos, sandálias e chinelos que desfilaram numa das maiores salas da Alfândega do Porto. 

Micaela Oliveira

A sala encheu para ver o desfile de Micaela Oliveira. Passavam poucos minutos das 21h30, quando a música deu o início a uma das maiores coleções do dia.

Elementos da fauna e da flora deram a inspiração para as peças únicas que a criadora trofense trouxe até esta edição do Portugal Fashion. Denota-se a manipulação artesanal através dos bordados, camadas de tecido, cortes a laser e a aplicação de pedraria e transparências.

É uma coleção de opostos: peças de cores vibrantes e de luxo, sedas bordadas e com acabamentos requintados e peças que transparecem leveza e simplicidade. 

Dielmar

“Quadrante” é o nome da coleção primavera/verão da marca. Inspirada na vida marítima e no seu quotidiano, a criação revela riqueza e versatilidade, onde se explora o Subcontinente Indiano, o Médio Oriente, com apontamentos de desportos náuticos e texturas oceânicas.

É com esta coleção que o vestuário executivo/formal ganha um novo sentido direcionado para uma atitude descontraída, moderna e open-minded.

A Dielmar alia o lifestyle moderno com uma paleta de cores intensa, passando pelo bege, o castanho e o laranja, o quente do vermelho e do amarelo, a frescura do verde e do azul, terminando na pureza do branco.

Ana Sousa

É com o tema “Natureza Urbana” que Ana Sousa encontra a sua coleção primavera/verão 2018 e enche por completo a sala da Alfândega do Porto.

A criadora apresenta, por um lado, looks mais nostálgicos e que nos transportaram para os anos 30 e 50 e, por outro, encontramos influências soft punk que nos levam aos anos 80.

Ana Sousa junta o conforto com a moda e, num respirar de padrões de natureza botânica e no fundo oceânico, encontramos uma mulher jovem, animada e feminista.

A estilista, em antítese, surge com uma paleta mais primaveril, cores vibrantes, várias texturas e apontamentos metálicos que refletem luz nas silhuetas, deixando a mensagem: “You can change the World, Girl!”.

A coleção Ana Sousa encontra uma mulher urbana e cosmopolita, sensível a diferentes culturas e lugares, onde não faltam conjuntos que completam qualquer momento do dia.

O Portugal Fashion regressa de 22 a 25 de março do próximo ano para apresentar tendências da estação outono/inverno do próximo ano.

Artigo editado por Filipa Silva