22 horas. O Coliseu do Porto está pronto para receber Diogo Piçarra. Quando as luzes se desligam, a plateia fica ao rubro. A estreia do cantor nos coliseus deixa os fãs irrequietos e surgem as primeiras lanternas na escuridão.

Um vídeo com imagens do cantor marca o início do concerto. O ecrã gigante abre-se ao meio e a banda aparece atrás dele. Ouve-se a voz de Diogo Piçarra e o público procura por ele, impaciente. “Dois” é a música que abre o concerto.

Uma dupla de bailarinos entra em palco. Começa a música “Já Não Falamos”, o músico corre pelo palco e dá a mão aos fãs do Golden Square. O público deixa-se contagiar e canta em coro.

“Muito obrigada Porto, isto está lindíssimo, vocês é que criaram isto”, agradece o cantor. Diogo continua com “Ponto de Partida”, sozinho em palco e com poucas luzes acesas. O rapper Valas, o primeiro convidado da noite, é chamado ao palco para o acompanhar.

A música “90”, que o artista fez para o irmão, é um dos momentos mais emocionantes do concerto. Fotografias dos dois emergem no ecrã de fundo, enquanto Diogo canta sentado na beira do palco. “A família é para sempre, combinado?”, grita.

Sozinho e de guitarra na mão, o cantor pede para se acenderem as luzes para ver a plateia. “Surreal, não estava nada à espera disto”, comenta.

Nas músicas “Só Existo Contigo” e “Meu é Teu” as lanternas voltam a acender-se e testemunham-se as primeiras lágrimas. O público canta sozinho e Diogo Piçarra comove-se. “Não vale fazer chorar, ok?”, ri. A simplicidade e proximidade do cantor seduzem o público.

April Ivy sobe ao palco em “Não Sou Eu”.  A dupla incentiva a plateia a cantar e ninguém se atreve a negar o pedido. A energia dos músicos não dá descanso às vozes da audiência.

Em “Verdadeiro”, Diogo Piçarra salta do palco e faz crowd surfing na plateia. No final, baixa-se e tapa a cara. O público conhece todas as músicas e os telemóveis filmam tudo aquilo que os fãs não querem perder.

O cantor confessa que a próxima música é muito especial e por isso chama duas convidadas ao palco. Anavitória e Diogo Piçarra cantam em conjunto “Trevo (Tu)” e o público surpreende o trio com cartazes e trevos de quatro folhas bem no alto.

“Por mim, eu não ficava uma noite inteira, ficava uma vida inteira aqui convosco”, atira. Diogo Piçarra tira uma fotografia com a plateia de braços no ar antes de abandonar o palco.

Para o encore, reserva “Margem”, “Longe” e “Entre as Estrelas” ao piano com Jimmy P. Segue-se um dos momentos mais intimistas do concerto. As primeiras notas não enganam o público. “Volta” vai começar, “para acabar em grande”. Focos brancos iluminam Diogo ao piano e o público dá as mãos. Faz-se magia. ”Muito obrigada Porto”, agradece o cantor no final da canção.

Sobra ainda tempo para “Tu e Eu”, “Mágico” e “Dialeto”. Fumo e confetti prateados anunciam o fim do concerto. As pessoas começam a sair da sala, ainda que apeteça adiar a despedida. Se algumas estão com pressa, outras atrasam o passo na esperança de ainda o ver.

Ana Beatriz já assistiu a mais de 80 concertos

Helena tem 17 anos e assiste a um concerto de Diogo Piçarra pela primeira vez. Se tivesse alguns segundos com ele, não tem dúvidas do que lhe diria: “Que ele é o melhor cantor de Portugal e que adoro o trabalho dele”.

Sara, com 19 anos, vê também o cantor ao vivo pela primeira vez. As expectativas eram altas, mas mesmo assim foram superadas. “Acho que ele próprio não estava à espera de ser assim bem recebido, acho que o público foi espetacular”, conta. A jovem promete recordar o concerto para sempre.

Pedro Cardoso

Pedro Cardoso Foto: Maria Campos

Pedro Cardoso acompanha a filha, mas confessa que “também [gosta] das músicas do Diogo”. A melhor parte de assistir a um concerto com a filha é “vê-la feliz e emocionada como  [a viu] durante o concerto”. Para ele, o músico é um exemplo para os jovens portugueses. “Já tive oportunidade de para além de o ver em palco estar com ele pessoalmente e é muito simpático, é um jovem que é humilde, mantém a humildade e a simplicidade e isso é importante”, explica.

Para Liliana, de 28 anos, Diogo Piçarra é um homem de palco por si só e não precisa de convidados. Gostou particularmente das canções em que ele tocou piano sozinho em palco. As suas músicas preferidas são as do primeiro álbum, portanto se estivesse com ele pessoalmente diria “para ele voltar ao Diogo Piçarra do primeiro álbum”.

Ana Beatriz

Ana Beatriz Foto: Maria Campos

Ana Beatriz tem 18 anos e é uma das maiores fãs de Diogo Piçarra. Já foi a mais de “80 concertos” e sabe de cor todas as músicas do cantor. Entre tantos encontros, destaca um concerto em especial: “foi o dos meus anos em que ele me levou ao palco” em Vila Velha de Ródão, conta a jovem da margem Sul do Tejo. Ainda assim, admite que este foi também um concerto especial: “Foi o primeiro coliseu do Diogo”, nota. Ana Beatriz, que esteve no Golden Square, foi uma das responsáveis pela surpresa na música “Trevo (Tu)”, pois acredita que estes pequenos gestos tornam os concertos ainda mais únicos. O seu momento preferido foi “o fim, porque deu para ver o orgulho e felicidade que ele estava a sentir quando estava a ver ali toda a gente”.

Júlia Antunes, de 17 anos, veio de Monção para assistir à estreia do músico no Coliseu. “Estou muito orgulhosa dele, eu já o sigo desde o início e sempre acreditei nele”, confessa.

O álbum “do=s” foi lançado em março deste ano. Diogo Piçarra apresenta o próximo concerto no dia 3 de novembro no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

Artigo editado por Filipa Silva