Os Serviços de Ação Social da Universidade do Porto (SASUP) vão renovar as suas nove residências universitárias, cuja capacidade máxima é de 1.179 camas. 

Manuel Barros, diretor dos SASUP, esclarece que o novo ciclo da política de alojamento da UP “não partirá da construção de novas residências por parte da universidade”, mas sim por “outras soluções que neste momento estão a ser estudadas”.  

Enquanto isso não acontece, a preocupação passa por organizar um programa de reabilitação das residências universitárias, que se estende até ao ano de 2019, e que, segundo explica, “se insere num plano mais vasto de reabilitação do edificado de todos os serviços de ação social” da UP. 

Primeiras empreitadas

Para tal, as nove residências da Universidade do Porto serão intervencionadas nos próximos anos. As primeiras, já este ano, são a residência de Paranhos (com obras de conservação e pintura) e a do Campo Alegre I (com reabertura de quartos que estavam encerrados). Segundo Manuel Barros, estas duas residências “eram aquelas que tinham o projeto mais adiantado” e a previsão de conclusão mantém-se para o final deste ano.  

Para o ano de 2018, estão previstas pinturas de quartos em todas as residências universitárias e uma política de “manutenção recorrente.” Estimam-se obras de recuperação na residência Alberto Amaral e na “cobertura” da residência Novais Barbosa. Também os varandins dos blocos C e D da residência de Campo Alegre serão impermeabilizados e haverá substituição do pavimento “de 42 quartos da residência de Ciências.”  

Outras obras em vista

Em 2019, serão alvo de intervenção as restantes fachadas, nomeadamente as da residência Jayme Rios de Sousa. Está ainda “em estúdio prévio” uma nova cantina para Faculdade de Economia. “Essa é a única obra que está neste momento prevista”, explica o diretor dos SASUP. 

Também o edifício dos Serviços de Ação Social da UP irá sofrer alterações “daqui a uns tempos”. “A parte da entrada vai ser intervencionada para que os jovens sintam que estão dentro de um serviço que é seu”, adianta Manuel Barros. 

Envolver as autarquias na certificação

O diretor dos SASUP afirma que a universidade “está a definir uma política para responder à necessidade de alojamento”, em virtude, sobretudo, do cosmopolitismo da cidade e da procura por uma universidade bem classificada nos rankings internacionais, que só este ano já atraiu para a UP mais de quatro mil estudantes estrangeiros. Atualmente, das 1.179 camas que existem, 76 são destinadas a estudantes Erasmus. 

Manuel Barros é o diretor dos SASUP.

Manuel Barros é o diretor dos SASUP. Foto: César Castro

Segundo o “Estudo das Residências de Estudantes 2017” realizado em parceria pela Worx e pela Uniplaces, na cidade do Porto existem um total de 29 residências na cidade, das quais 15 são de entidades privadas e 14 de entidades públicas. Um cenário totalmente diferente quando comparado, por exemplo, com a cidade de Lisboa, cuja oferta de um maior número de camas na cidade é da responsabilidade, na sua maioria, das instituições públicas. 

De acordo com o mesmo relatório, a entidade que maior número de camas disponibiliza na Invicta é a Universidade do Porto, seguido pelo Instituto Politécnico do Porto, o World SPRU Porto Campanhã, o Lar Universitário São José de Cluny e a M2 Students. Estas três últimas, de entidades privadas. 

Manuel Barros crê que o aumento das possibilidades de alojamento passa por “envolver as autarquias locais”, pelo que estão a ser estabelecidos protocolos com as câmaras municipais dos concelhos “mais bem servidos em transportes públicos, nomeadamente através da rede de Metro”, de que são exemplo Matosinhos, Gaia, Maia e Gondomar. “Queremos, através do alojamento, afirmar a dimensão metropolitana da Universidade do Porto”, reconhece o diretor. 

O resultado de um maior envolvimento metropolitano faria com áreas fora do centro da cidade beneficiassem da dinâmica criada pela presença de estudantes universitários.

A procura de alojamento é, atualmente, maior do que a oferta e os SASUP não conseguem dar resposta às necessidades de todos os estudantes. Contudo, Manuel Barros salvaguarda que os serviços de ação social já estão “a apoiar muito os estudantes, porque se contarmos com os estudantes que são alojados com o suplemento para alojamento, então a capacidade de alojamento da universidade aumenta, exponencialmente, para o dobro ou para o triplo”, explica. 

Embora o suplemento de alojamento esteja destinado aos estudantes bolseiros, e sejam eles quem tem prioridade em relação aos restantes, Manuel Barros reconhece que “não pode fechar as portas” aos que não o são, uma vez que é dever da universidade “saber acolher para atrair.” 

Alargar oferta, com qualidade

Ciente de que “o mundo empresarial tem outra capacidade” e que “o Estado não é omnipresente”, Manuel Barros admite que a falta de alojamento possa ser colmatada pela construção de residências universitárias em protocolo com empresas privadas.  

Manuel Barros acredita que, ainda que não sejam alojados no centro da cidade e desde que haja transporte, os estudantes conseguirão “melhores condições a preços mais apetecíveis.” Contudo, afiança que o sucesso do projeto “depende também do empenho das autarquias.” 

Manuel Barros admite que já se reuniu com investidores de algumas empresas. Uma delas, por exemplo, veio apresentar um projeto para investir na zona da Asprela. “As pessoas não têm noção da concentração de estudantes que há ali naquele polo, das universidades privadas, da Universidade do Porto, que é de facto maioritária, e do Instituto Politécnico”, explica.  

O diretor dos SASUP adianta ainda que a Universidade do Porto está também a trabalhar em articulação com o Instituto Politécnico. “Vamos desenvolver um protocolo para que os estudantes do Politécnico e da Universidade possam utilizar as instalações das duas instituições a nível, para já, da alimentação”, finaliza. 

O atual ciclo da política de alojamento da Universidade do Porto assenta em três eixos estratégicos fundamentais, dos quais se destaca a proximidade com os estudantes, a transversalidade institucional e a cultura de manutenção do património edificado, eixo no qual se enquadra o novo programa, avaliado em 2,5 milhões de euros. 

Artigo editado por Filipa Silva