A vitória do Benfica no dia anterior colocava a pressão do lado do FC Porto. Para manter a liderança era preciso vencer em Chaves e foi isso que a equipa azul e branca fez. Além da vitória, os dragões saíram de Trás-os-Montes com um resultado folgado, um “bis” de Tiquinho Soares, o 16º golo de Marega e mais uma bela exibição de Sérgio Oliveira. Mas vamos por partes.

O GD Chaves encontrava-se em sexto lugar e a sua única derrota em dois meses tinha sido às mãos do Benfica. Já a equipa visitante tinha de gerir a equipa em antecipação do duelo europeu de quarta-feira, contra o Liverpool.

A tarefa pareceu complicar-se quando o Desportivo de Chaves entrou em campo com personalidade e uma capacidade ofensiva incisiva, que não teve resposta a altura por parte do Porto. Porém, os “dragões” nos poucos ataques que fizeram conseguiram ser mais eficazes que os adversários e ao intervalo estavam na frente com dois golos. Na segunda parte, um Porto em modo de gestão aproveitou um Chaves mais dócil para aumentar o marcador por mais duas vezes e garantir a vitória por números avassaladores.

Qualidade sobre Quantidade

O FC Porto começou o jogo com um sistema tático diferente do dos últimos jogos, apresentando um meio-campo a três com o regresso de Otávio à titularidade. A estratégia não correu de feição aos dragões, pois o Desportivo de Chaves conseguiu controlar o ritmo e a posse de bola durante os minutos iniciais.

Os da casa estavam a conseguir chegar à área do adversário, mas não conseguiram criar nenhuma oportunidade flagrante. Em contrapartida, a equipa azul e branca conseguiu, através de uma recuperação de bola no meio-campo, chegar ao golo e abrir o marcador. Otávio roubou a bola à defensiva do GD Chaves, entregou para Sérgio Oliveira e este fez um passe em profundidade para Tiquinho Soares receber e colocar a bola no fundo das redes, aos 15 minutos da partida.

O golo não mudou a atitude das equipas: O Desportivo de Chaves continuou com uma maior produção ofensiva, enquanto o FC Porto não era capaz de construir jogo. Destaque para Matheus Pereira e os seus movimentos da ala para o centro, causadores de grandes enxaquecas à defensiva portista. Aos 22 minutos, José Sá teve mesmo de impedir um remate fortíssimo de Matheus que poderia ter dado a igualdade no marcador ao Chaves.

Na resposta azul e branca, Maxi Pereira conduziu a bola pela ala direita e entregou para Otávio à entrada da grande área. A bola ressaltou num defesa adversário e regressou aos pés do uruguaio que cruzou para o coração da área, onde Soares rematou para golo, de primeira sem deixar a bola bater no chão. O brasileiro bisou na partida, aos 28 minutos, e afirmou a sua reintegração na equipa.

A partir deste momento, o jogo tornou-se mais equilibrado. com oportunidades para ambas as partes. Os “dragões” quase que chegavam ao terceiro quando Soares apareceu na grande área pelo lado esquerdo, porém o avançado decidiu oferecer o golo a Marega, permitindo o corte ao centrar Nikolas Maras. Por parte do Chaves, Matheus Pereira protagonizou novo lance, ao rasgar completamente pelo lado esquerdo da defesa azul e branca, permitindo-lhe passar a bola para Davidson. Contudo, Maxi Pereira conseguiu cortar a bola a tempo e impedir a equipa da casa de marcar.

Os últimos 10 minutos da primeira parte marcaram uma redução drástica na intensidade de jogo, o que beneficiou o Porto na sua tentativa de recuperar o controlo do jogo. Os primeiros 45 minutos chegavam ao fim com uma vantagem de 2-0 para a equipa visitante.

Ritmo baixo aumentou a chama portista

Na segunda parte, o Porto entrou com o intuito de controlar o jogo e garantir a segurança no marcador. Em contraste, o Desportivo de Chaves regressou completamente apático, incapaz de chegar ao ritmo elevado com que tinha jogado no primeiro tempo. O jogo tornou-se, assim, numa disputa travada a meio-campo com perdas de bola de ambos os lados.

Apesar disso, os “dragões” estavam mais lúcidos nesta segunda metade da partida e, aos 57 minutos, chegaram ao terceiro golo. Marega recebe na grande área uma bola de Maxi Pereira, o maliano entrega a Otávio que a devolve imediatamente e o número 11 azul e branco remata para o golo. A bola beneficiou ainda de um ligeiro desvio, o suficiente para enganar o guarda-redes do Chaves.

Este momento deitou a equipa da casa abaixo e deu espaço para o Porto criar oportunidades de golo ao seu ritmo. Aos 59 minutos, Otávio, a partir do lado esquerdo, entregou a bola a Soares, que rodou sobre o adversário na meia-lua da área do Chaves e rematou com estrondo contra o poste direito da baliza flaviense. Já aos 65 minutos, o recém-entrado Waris enviou a bola à trave do Chaves e esteve perto de se estrear a marcar pelos “dragões”.

Por alguns minutos, os da casa reagiram com dois lances de perigo. Primeiro, aos 74 minutos, Pedro Tiba livrou-se de Felipe, através de uma simulação, e rematou a bola por cima da baliza de José Sá. Cinco minutos depois, Paulinho cruzou pelo lado direito, enviando a bola para a cabeça de William Oliveira, que a mandou para fora da linha final.

Passado este último suspiro, o FC Porto cresceu de novo no jogo e acabou mesmo por chegar ao quarto golo, já para além dos 90 minutos. Herrera pica a bola por cima da defensiva flaviense e Sérgio Oliveira recebe de peito e remata sem deixar a bola cair, fuzilando a baliza do Chaves. Um excelente momento de futebol que confirma a boa fase do médio português de 25 anos.

A partida terminou pouco depois e confirmou a vitória do Porto por números substanciais. Estava assim arrumado mais um teste difícil para a equipa de Sérgio Conceição.

“Os jogadores estão todos comprometidos”

Satisfeito com o resultado, Sérgio Conceição explicou as nuances táticas por detrás da vitória da sua equipa: “Nós sabíamos que para chegar à baliza com perigo hoje era preciso mais gente no corredor central, não jogar tanto com dois avançados, mas mais com três médios e acho que foi por aí a chave desta vitória.”

O técnico azul e branco admitiu que as várias mudanças posicionais durante o jogo “eram para criar desconforto no Chaves”. Reforçou ainda as qualidades na “posse e circulação de bola do Chaves” e afirmou que a sua equipa estava preparada da melhor forma.

O treinador portista aproveitou ainda para elogiar alguns jogadores e transmitir a união que existe no seu grupo de trabalho: “Os jogadores estão todos comprometidos, envolvidos, e isso deixa-me satisfeito como treinador”. Uma palavra especial foi dada a Tiquinho Soares, com Sérgio Conceição a reiterar: “este é o Soares que eu quero”.

“Não fomos agressivos como devíamos”

Luís Castro, técnico do Desportivo de Chaves, abordou a forma como a sua equipa se expôs no momento ofensivo: “Sempre que jogamos contra as equipas grandes naturalmente a equipa demonstra mais fragilidades, pois as equipas de dimensão superior expõem-nos mais.”

O treinador da equipa flaviense admitiu que o Chaves “não se soube juntar no momento certo e fechar a fonte onde nascia o jogo do FC Porto.” Acrescentou ainda: “Não fomos agressivos como devíamos e quando fomos não materializámos.”

Com o foco nos próximos jogos, Luís Castro garante que a sua equipa “vai reagir e vai continuar a trabalhar com dedicação honestidade e com toda a inspiração que podemos pôr em cada treino.”

O FC Porto regressou, assim, à liderança isolada do campeonato, com 55 pontos e com o jogo do Estoril em atraso. Na próxima quarta-feira, os azuis e brancos recebem os ingleses do Liverpool, na primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões. Já o Desportivo da Chaves vai ao campo do Moreirense no próximo domingo, em jogo a contar para a 23ª jornada da Liga NOS.

Artigo editado por Filipa Silva