Rui Vitória lidera o comando técnico do Benfica há quatro temporadas, mas só este domingo conquistou a sua primeira vitória frente ao FC Porto. O clássico disputado no Estádio da Luz acabou com uma vantagem pela margem mínima, resultado ajustado ao que aconteceu dentro das quatro linhas: um duelo intenso e equilibrado que acabou por descair para a equipa que se mostrou mais competente.

O golo de Haris Seferovic surgiu aos 62’ e valeu os três pontos que conduziram os encarnados novamente à liderança do campeonato, partilhada com o SC Braga. O FC Porto somou a segunda derrota em sete jogos – o que não acontecia há dez épocas -, depois de ter perdido com o Vitória de Guimarães, em casa, à terceira jornada.

Primeira parte muito dividida

Sem Aboubakar, impedido de jogar devido a uma lesão grave no joelho, Sérgio Conceição apostou em Tiquinho Soares para fazer dupla com Marega na frente de ataque, voltando assim ao seu clássico 4-4-2.

Do lado adversário, Rui Vitória efetuou três alterações em relação ao jogo com o AEK: sairam Conti, Gedson e Rafa Silva e entraram Gabriel, Cervi e Lema (este último acabou por ser expulso no seu jogo de estreia a titular pelas águias).

Com lotação esgotada no Estádio da Luz, o FC Porto entrou melhor na partida, mais intenso e à procura do golo. No entanto, rapidamente, o Benfica conseguiu equilibrar o jogo.

Ao primeiro quarto de hora de jogo, surge o primeiro momento de tensão, no qual valeu Iker Casillas, com uma palmada na bola, para travar Seferovic que tinha tudo para abrir o marcador, depois de Pizzi ganhar um livre no meio-campo e meter a bola, nas costas de Felipe, à sua disposição. Depois da boa intervenção, o guarda-redes espanhol viu o cartão amarelo no seguimento de recorrentes demoras na reposição de bola.

Os primeiros minutos passaram sem oportunidades flagrantes com ambas as equipas ainda algo expectantes e a apalpar terreno.

No entanto, já perto do final do primeiro tempo, ainda que em fora de jogo, Seferovic faz arrepiar os adeptos portitas. Isolado por Cervi, no um para um com Casillas, o avançado colocou a bola bem perto do poste da baliza azul e branca.

Toque suíço decide o jogo

No regresso das cabines, o Benfica entrou decidido a mudar o rumo da primeira parte. Na tentativa de contrariar a supremacia encarnada, Sérgio Conceição promoveu a entrada de Sérgio Oliveira para o lugar de Otávio, já amarelado, para ganhar mais coesão no meio-campo.

No primeiro lance digno de registo da segunda parte, o guarda-redes do FC Porto teve de fazer jus ao seu reconhecido valor, aplicando-se, e bem, para defender o remate potente de Gabriel Appelt, substituto de Gedson no onze, evitando assim o golo das águias.

O atrevimento encarnado, em contraponto com a escassez de soluções do ataque dos portistas, veio a refletir-se minutos depois. Aos 62’ Seferovic colocou ao rubro o Estádio da Luz com o golo que viria a decidir o encontro. Numa das muitas recuperações de bola que fez no meio-campo, Gabriel lançou Pizzi no ataque que, por sua vez, assistiu Seferovic com a cabeça. Na cara de Casillas, o avançado encarnado, em esforço, rematou de pé direito e colocou as águias na frente do marcador.

Sérgio Conceição mexe na equipa

Face a um resultado pouco animador e a um Sérgio Conceição insatisfeito, era necessário mexer na equipa e reforçar o ataque para tentar chegar rapidamente ao golo. Maxi Pereira, também amarelado, é o escolhido pelo treinador dos dragões para sair e dar lugar a Jesus Corona, passando o internacional mexicano a fazer todo o corredor direito.

O FC Porto, ameaçou chegar ao golo aos 74’ em situação de bola parada. Um canto cobrado por Allex Telles do lado direito ofereceu a Danilo Pereira a possibilidade de marcar de cabeça ao primeiro poste.

A fraca reação da equipa ao golo sofrido obrigou Sérgio Conceição a reagir com nova substituição. André Pereira entrou e na sua primeira intervenção no jogo provocou a expulsão de Cristián Lema. A vida dificultou-se para o Benfica que passou a jogar em inferioridade numérica.

Nos últimos minutos da partida, o FC Porto esteve dependente das iniciativas de Brahimi. O argelino esteve perto do empate aos 86’ após uma jogada individual que levou perigo à baliza encarnada, com um remate forte ao segundo poste.

Até ao final, os adeptos portistas ansiaram pelo golo do empate, mas apesar das inúmeras incursões do ataque tripeiro, o Benfica levou a melhor e segurou a vitória.

Sérgio Conceição: “O empate seria o mais justo”

Já na conferência de imprensa, Sérgio Conceição, desiludido com a derrota, afirmou que “foi um jogo muito disputado e muito competitivo” e que o resultado não é o merecido pelos seus jogadores: “o empate seria o mais justo”, referiu. No entanto, deixou também uma garantia aos adeptos: “Contem connosco para ganhar o campeonato”.

Apesar de ter somado em sete jornadas tantas derrotas quanto toda a época passada, Sérgio Conceição deixou uma nota de ânimo para a equipa e os adeptos: “Não olho para isso com satisfação, claro, mas talvez esta seja a última derrota do campeonato. Conheço bem o grupo que tenho.”

Rui Vitória: “Uma vitória difícil, mas inteiramente justa”

Com uma opinião contrária à de Sérgio Conceição, o treinador da equipa anfitriã concordou com o resultado e elogiou a sua equipa pela exibição: “Jogo muito disputado, mas foi um jogo à Benfica”.

Deixou também uma palavra a Seferovic, enaltecendo a sua vontade de marcar, e a Lema, jogador expulso, desvalorizando a mesma e afirmando a boa performance do argentino: “As expulsões dos centrais nos últimos três jogos só pode ser coincidência. Hoje jogámos com um defesa-central que tem jogado pouco, numa época que mudou de um país para o outro. Esteve muito bem. Já temos a nossa dose, não vai acontecer mais.”

Paragem antes da Liga dos Campeões

O campeonato para agora por algumas semanas, por causa de compromissos das seleções. O FC Porto volta a entrar em campo a 24 de outubro, em Moscovo, para disputar com o Lokomotiv a terceira ronda da Liga dos Campeões. O Benfica joga no dia anterior com o Ajax.

Na Liga, o próximo jogo do FC Porto é com o Feirense. O Benfica vai ao terreno do Belenenses SAD.

Artigo editado por Filipa Silva