Foi ao som de “You’ll Never Walk Alone” que Sporting de Braga e Boavista entraram em campo, este sábado, no Bessa, e o hino do Liverpool tão mediatizado numa semana de reviravoltas épicas pela europa do futebol talvez tenha espicaçado os jogadores bracarenses e axadrezados que, sobretudo na primeira parte, proporcionaram um grande espetáculo de futebol.

Garantida a manutenção na jornada passada, cabia ao Boavista despedir-se do Bessa em festa com os adeptos, que responderam à chamada: mais de 19.000 estiveram no estádio. Do outro lado, estava o Sporting de Braga que, depois de ter alimentado o sonho do título durante algum tempo, perdeu cinco dos últimos dez jogos e vinha de duas derrotas consecutivas.

O futuro de Abel Ferreira no Sporting de Braga já vem sido questionado há algum tempo pela imprensa e a incerteza reina na cidade dos arcebispos.

Entrada a todo o gás

O jogo começou com o SC Braga por cima e, depois de uma boa oportunidade de Paulinho, os minhotos não perdoaram. Palhinha recuperou a bola a meio do meio-campo do Boavista e, com espaço, rematou uma bola que ainda sofreu um desvio e que, aos 5 minutos, só parou no fundo da baliza de Bracali.

Apesar de, nos primeiros 20 minutos, o resultado ser justo, estava claro que o jogo estava longe de estar resolvido. Com maior iniciativa, o Boavista pôs-se a jeito de sofrer o 2-0 por duas ocasões. Aos 17 minutos, Esgaio quase marcava e aos 19 minutos foi Wilson a fazer Bracali brilhar. Incrível a intensidade que se vivia no Bessa.

De loucos

Aos 22 minutos, Yusupha fez um grande trabalho na direita do ataque boavisteiro, cruzou e, no meio da confusão, Obiora fez o empate num remate de raiva já na pequena área de Tiago Sá.

As duas equipas estavam muito bem na partida, prometiam mais golos e não era exagero dizer-se que este estava a ser um dos melhores jogos do campeonato.

Dois minutos depois do empate, pénalti para o Sporting de Braga. Com frieza, Wilson atirou para o meio da baliza e os minhotos estavam na frente novamente.

O Boavista, depois de se ver em desvantagem pela segunda vez, voltou a não sentir o golo sofrido. As duas equipas já tinham o campeonato praticamente resolvido, mas jogavam como se estivessem a disputar uma final.

Cincou minutos à Boavistão

Aos 40 minutos, o Boavista fez o empate. Depois de uma grande arrancada e de ter passado por Goiano, Mateus assistiu Rafael Costa que rematou contra Bruno Viana, mas Yusupha estava atento, ganhou o ressalto e finalizou.

Mas ainda havia mais para contar numa primeira parte de sonho para quem pagou para uma boa tarde de bola. Três minutos depois de ter feito o empate, o Boavista passou para a frente do marcador.

Mateus coroou a boa exibição com um desvio à boca da baliza e, pela primeira vez, o Boavista estava em vantagem. O intervalo chegou (infelizmente) com o Bessa em êxtase e a segunda parte prometia muito.

Agora já ficou mais difícil

Ainda nem toda a gente se tinha sentado para a segunda parte e já o Boavista fazia o 4-2 que tinha ameaçado na primeira parte.

Grande passe de Obiora para Yusupha ganhar as costas da defesa do Braga e obrigar Bruno Viana a fazer uma falta para amarelo à entrada da área. Na conversão do livre, aos 48 minutos, Alberto Bueno carimbou a primeira vantagem de dois golos no jogo.

No minuto a seguir já o Braga podia ter marcado também. Mais uma grande defesa de Bracali a cabeceamento de Wilson na sequência de um livre de Sequeira.

A perder por dos golos, Abel tinha de arriscar e foi o que fez lançando o criativo João Novais para o lugar do apagado Ryller e abdicando de Esgaio para pôr em jogo Dyego Sousa. Com uma equipa claramente de tração à frente, o Braga tinha meia hora para alcançar um resultado positivo, mas o Boavista também parecia querer mais.

Os minutos foram passando e o jogo foi ficando menos frenético. Ao Boavista interessava um ritmo mais calmo e, sobretudo, não sofrer um golo que devolvesse o Braga ao jogo.

Show Bracali

Naquele que era, claramente, o melhor momento do Braga no jogo, emergiu um herói. Aos 67 minutos, num lance em que Dyego Sousa caiu na esquerda e cruzou rasteiro, Paulinho rematou de primeira para um voo incrível do guarda-redes axadrezado. Três minutos depois, foi Dyego Sousa a testar Bracali num bom remate que o brasileiro não só defendeu, como também agarrou.

Recuar o “xadrez” e vencer

Depois da entrada do central Jubal para o lugar do avançado Mateus, a mensagem de Lito Vidigal era clara: tinha chegado a altura de cerrar fileiras quando faltavam 15 minutos para jogar.

A partir desse momento e da entrada de Trincão, assistiu-se a um total assédio do SC Braga à baliza do Boavista, com várias oportunidades falhadas. Aos 77 minutos, Dyego Sousa, com um remate portentoso que merecia mais, esbarrou no poste de Bracali.

O tempo passava e o marcador continuava nos 4-2. A crença do Sporting de Braga ia-se esbatendo a cada oportunidade falhada. O Boavista já só defendia, mas o Bessa não se importava. Depois de uma primeira parte absolutamente espetacular, o Braga não foi competente o suficiente para reentrar no jogo e, por isso, o resultado ficou-se pelos 4-2.

“Foi um grande jogo”

Na sala de imprensa, Lito Vidigal valorizou a exibição do Boavista: “Foi um grande jogo de futebol, a jogar com agressividade contra um adversário forte, com bons jogadores e em que nós fomos superiores. Este foi um jogo diferente, já tínhamos o objetivo cumprido e conseguimos aliar o resultado à qualidade de jogo. Parabéns aos jogadores e aos adeptos do Boavista”.

Quando questionado acerca do futuro e das suas ambições enquanto técnico do Boavista, Lito Vidigal foi claro: “Claro que temos de pensar de forma segura. Eu sou uma pessoa que, para além de equilibrada e tranquila, sou também ambicioso. Vou demonstrado isso com o meu trabalho. Não há melhor de mostrar ambição do que apresentando resultados. Desde que chegámos aqui, a nossa pontuação nesse período faria de nós o quarto classificado, muito próximos do terceiro”, frisou o técnico dos axadrezados que entrou em janeiro no Bessa.

Abel aponta falta de eficácia

Pelos bracarenses, foi Abel Ferreira a analisar o jogo e, na hora de justificar o resultado, o técnico valorizou a ineficácia da sua equipa: “O nosso adversário foi altamente eficaz, fez quatro golos em cinco oportunidades e nós, em onze, só fizemos dois golos. Começámos a segunda parte a sofrer um golo e depois encontrámos um Bracali a fechar a baliza», disse Abel.

O técnico bracarense comparou, ainda, este jogo ao último frente ao Marítimo: “Ao contrário do último jogo em que ceguei ao fim do jogo e achei que nos faltou criar oportunidades, desequilibrar e finalizar, neste jogo não”, afirmou o treinador do Sporting de Braga.

Na última jornada do campeonato o Boavista desloca-se à Madeira para defrontar o Marítimo e o Sporting de Braga recebe o Portimonense.

Artigo editado por Filipa Silva