Num mundo saturado de informação, como é que se contam histórias que criem impacto? “Documentar a Urgência” é o mote da segunda edição do Meeru Convida Amigos, uma iniciativa da Meeru Abrir Caminho, que vai decorrer no Selina Navis CoWork, no Porto, esta terça-feira à noite.

A sessão, com início marcado para as 21h00, tem como convidados Rui Barbosa Baptista, jornalista do “Público” que cobriu a crise dos Rohingya no Bangladesh; Raul Manarte, psicólogo da Médicos sem Fronteiras, realizador e produtor do documentário “Venezuela te Escucho”; e Pedro Amaro Santos, produtor do documentário “Egeu” que conta a história de quatro refugiados encurralados na Grécia. A moderação é do jornalista Simão Freitas.

Da Grécia ao Meeru

Pedro Amaro Santos, de 27 anos, é também o fundador da Meeruuma organização não governamental criada este ano, no Porto. O nome é inspirado no de uma criança paquistanesa que todos os voluntários da organização conheceram, apesar de terem participado em missões diferentes. O projeto “é muito grande” e está “relacionado com a inclusão de famílias refugiadas em Portugal”,  conta em entrevista ao JPN. “O que fazemos é ativar redes de suporte informal que possam contribuir para a inclusão destas pessoas que, apesar de terem apoios técnicos, vivem isoladas”, afirma ainda o jovem que espera incrementar a ação da organização em 2020.

Com uma equipa de dez voluntários, a associação conta, neste momento com alguns projetos, entre eles o “Meeru Aproxima”, que providencia apoio de proximidade permanente junto de famílias migrantes; o “Meeru Convida Amigos”, dedicado à conversa, com organizações, especialistas, ativistas e voluntários; e o “Meeru Escolas”, que promove sessões de sensibilização nas escolas sobre os direitos humanos.

A ideia de criar a Meeru, que entre outras coisas visa promover a aceitação da diversidade e motivar a transformação social através do diálogo intercultural, é resultado de uma experiência pessoal de Pedro Amaro Santos que, em 2017, decidiu embarcar num avião rumo à Grécia.

As notícias que mostravam “milhares de pessoas a entrarem na Europa, a atravessarem fronteiras numa situação tão terrível“ não o deixaram indiferente. “Não era só aquilo que se passava à minha volta, que eram problemas válidos, mas comparativamente insignificantes. Comecei a perceber que aquilo também era responsabilidade minha e, a partir daí, percebi que estava na altura de fazer coisas um bocadinho diferentes noutros lugares”, conta.

Durante a sua missão, que durou um ano e meio, o licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, foi voluntário em várias organizações. No entanto, a que mais o marcou foi o Serviço Jesuíta de Apoio aos Refugiados. Com esta organização, viveu e trabalhou num centro de abrigo, juntamente com outros voluntários e 20 famílias migrantes de diferentes países. “O nosso trabalho era solidificar relações internas e, portanto, há que estimular isso. Organizávamos convívios e momentos lúdicos. À parte isso, dávamos apoio, em coisas como consultas, traduções, ensino, acompanhamentos ao hospital”, enumera.

Ao longo desta experiência, foram muitas as histórias que colecionou, mas há uma que guarda no coração, com especial carinho: o percurso que percorreu com Hamza.

Pedro Amaro Santos considera que é importante “começar a ver a vida como exercício de disponibilidade”. O jovem, que tem uma pós-graduação em Direitos Humanos,  acredita que, mesmo que com pequenos gestos, todos somos capazes de dar uma ajuda, apenas precisamos de “escolher ajudar” e ter empatia: “temos de começar a cultivar a ideia de dar sem cobrar, porque habituamo-nos a pensar que ‘Eu só dou se for para…’”, reflete.

Desta vivência, leva muitas lições e, uma delas, é que, realmente, acredita no que faz: “Descobri que não há muitos limites para a capacidade de fazermos aquilo que acreditamos. E quando acreditamos muito naquilo que fazemos, acordamos todos os dias com muita vontade de sair da cama”.

Artigo editado por Filipa Silva