O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, apresentou, esta quinta-feira, na Biblioteca Almeida Garrett, o plano de remodelação do Museu da Cidade do Porto. O projeto vai passar pela criação de cinco eixos temáticos, pela remodelação de alguns dos 16 espaços que integram o circuito, além de uma nova identidade visual.

“Estamos a criar uma nova identidade gráfica, geográfica e semântica para o Museu da Cidade”, explicou Nuno Faria, diretor artístico do Museu, aos jornalistas. Dar ao museu uma “nova lógica” e redimensioná-lo “à escala da cidade” é o que os envolvidos pretendem com este novo modelo.

Do antigo Reservatório de água da Pasteleira, na zona ocidental, até à Quinta da Bonjóia, na zona oriental, o Museu da Cidade assenta em 16 pontos que o público poderá percorrer através de percursos temáticos, como se fossem “novas linhas de metro”. Dentro destes eixos, os visitantes vão poder encontrar exposições museológicas, arqueológicas, temporárias e dinâmicas específicas ainda a serem divulgadas.

No “coração” do projeto encontra-se a Biblioteca Sonora, localizada na Biblioteca Pública Municipal do Porto.

Biblioteca Sonora é o centro do novo projeto do Museu da Cidade

Ao todo, são cinco eixos principais (consultar galeria):

  • o eixo sonoro – centrado na potência da voz e da fala;
  • o eixo natureza – uma viagem por jardins, natureza e biodiversidade;
  • o eixo material – guiado por sítios arqueológicos onde é feita uma leitura material da cidade mostrando a “história feita pelos nossos antepassados”;
  • o eixo líquido – chamado também de “caminhos da sede”, são lugares onde flui a água;
  • e o eixo do romantismo – uma leitura do romantismo da cidade e de sua persistência.

Do total de espaços incluídos nos percursos, 80% já estão em funcionamento. Por abrir, estão o Reservatório da Pasteleira, a Casa dos 24 e o Ateliê António Carneiro. Alguns abrirão temporariamente para exposições. Três núcleos têm ainda de ser criados: Rio de Vila, Extensão da Indústria e Bonjóia extensão da natureza.

O programa de exposições previstas para este ano têm como foco deste a natureza.

A remodelação dos espaços deve continuar para além deste ano. O investimento já ultrapassa os 600 mil euros.

“É possivelmente uma never-ending story”, diz Rui Moreira sobre o museu em si. De acordo com o autarca, este projeto pode passar por adaptações e remodelações constantes, uma vez que a ideia é que seja dinâmico e adaptável.

De acordo com Rui Moreira, o Museu da Cidade dispersa-se por várias “estações”, em linhas que “intercruzam-se”, como no metro em que podemos sair em diversas paragens. Está nos parques, nos jardins, é um lugar vivo e está por toda cidade, reforça o presidente da CMP.

O Museu da Cidade, conceito concebido inicialmente em 1989 por uma professora universitária, é assim alvo de consolidação e de uma reformulação semântica. Os museus que agora tornam-se “estações” trocam de designação para adequar-se ao projeto. É o caso do Museu Romântico que passará a Extensão do Romantismo.

O objetivo da equipa responsável pelo projeto é construir o museu do futuro, pensar no mundo contemporâneo para que o público não fique confinado apenas a uma das coleções.

A entrada nos museus é paga. No domínio da bilhética, ainda estão a ser estudadas soluções.

Artigo editado por Filipa Silva