No mesmo dia em que foi aprovada, em Conselho de Ministros, a proposta de lei que prevê a suspensão de todos os festivais de música até 30 de setembro, várias foram as empresas de promoção e organização de eventos que já se pronunciaram, esta quinta-feira. O Nos Primavera Sound, no Porto, tinha já reagendado o festival de junho para o próximo mês de setembro, o que não poderá acontecer se a medida for aprovada na Assembleia da República (AR).

“Quando em março decidimos celebrar a Primavera no Verão, fizemo-lo por acreditar que em setembro estaríamos a viver tempos mais seguros“, explica a organização do festival em comunicado. “Assim, anunciada a proibição de realização dos eventos programados até ao dia 30 de setembro, teremos de aguardar a decisão definitiva da Assembleia da República para anunciar o modo de concretização desta medida, cujos detalhes comunicaremos logo que possível”, pode ainda ler-se no mesmo comunicado.

Também a Norte, o festival Meo Marés Vivas – promovido pela PEV Entertainement – adiou a edição deste ano para os dias 16 a 18 de julho de 2021, informa a organização em comunicado enviado à imprensa. A organização indica ainda que os bilhetes para a edição de 2021 vão “manter os mesmos valores” e que “darão informações sobre a troca de bilhetes nos próximos dias”. Já o cartaz da 14.ª edição do evento será anunciado a “partir da próxima semana”.

Mais informação depois da decisão da AR

Com data prevista para 08 a 11 de julho, o festival Nos Alive, que já tinha visto o concerto de Taylor Swift cancelado pela artista – que suspendeu toda a digressão europeia devido à pandemia da COVID-19 -, aguarda agora que a AR decida sobre a proposta de lei do Governo. Em comunicado, a organização explica que a “Everything is New [empresa promotora do evento] entende aguardar pois a decisão definitiva da Assembleia da República para anunciar o modo de concretização desta decisão do Governo anunciada hoje [07 de maio], que a todos, deste e desse lado, enche de tristeza mas que será integralmente respeitada em nome da saúde pública.”

Quanto à possível devolução de bilhetes, a organização avança no site que “está a trabalhar em todos os cenários, incluindo o adiamento de datas do festival, com o mesmo cartaz“. “Estamos a seguir todas recomendações do Governo Português, Direção Geral de Saúde e com todas as autoridades competentes que estão connosco na realização do Festival. Logo que possível partilharemos mais informações, incluindo as relativas a bilhetes, nos nossos canais oficiais.”

Também a promotora Música no Coração – responsável por festivais como o Galp Beach Party (26 e 27 de junho, em Matosinhos), Sumol Summer Fest (03 e 04 de julho, na Ericeira), Super Bock Super Rock (16 a 18 de julho, no Meco), Meo Sudoeste (04 a 08 de agosto, na Zambujeira do Mar), entre outros – se pronunciou. Num comunicado enviado à imprensa, a empresa explica que aguarda também a validação da decisão do Conselho de Ministros por parte da Assembleia da República.

“A Música no Coração vai, por isso, aguardar a decisão definitiva da Assembleia da República para comunicar as medidas resultantes dessa decisão, que vamos seguir rigorosamente em nome da segurança e bem estar de todos os envolvidos na realização dos Festivais”, esclarece a promotora.

“Teremos sempre Coura”

Já a organização do festival Vodafone Paredes de Coura – que tinha data marcada para os dias 19 a 22 de agosto, na localidade que lhe dá nome – explica, em comunicado enviado à imprensa, que irá também aguardar a decisão definitiva da AR. A edição deste ano seria a 28.ª do festival, que transita agora para o próximo ano.

À agência de notícias Lusa, o diretor do festival, João Carvalho, admitiu ainda a possibilidade da realização de um evento no Inverno. “Queremos fazer algo por Paredes de Coura. Eu gostaria, se o Governo e as autoridades de saúde o permitirem, de fazer algo no inverno. Se for possível, porque nem pensar pôr em risco alguém”, adiantou à Lusa.

“As novidades de hoje [07 de maio] entristecem-nos profundamente, mas são as mais sensatas. A saúde e a segurança de todos os que fazem este sonho acontecer deve ser sempre a prioridade”, afiança a organização em comunicado, acrescentando que irá divulgar mais informação nos próximos dias, “logo que a Assembleia da República transforme em lei a decisão do Governo”.

“Vivemos tempos estranhos. Em muito pouco tempo, o mundo como o conhecíamos mudou por completo. As prioridades e objetivos foram reformulados; a vida social está em pausa; a indústria da música foi colocada em perspetiva. E os dias quentes de verão com os amigos, os abraços, as gargalhadas, a música que nos enche a alma, tudo isto está repleto de pontos de interrogação”, pode ler-se no comunicado. “Teremos sempre Coura”, remata a organização.

Pixies eram uma das bandas cabeça de cartaz do festival.

Festivais como o Rock in Rio, que decorreria em junho, ou o Boom Festival – marcado para 28 de julho a 04 de agosto – tinham já anunciado que vão regressar em 2021.

No ano passado foram realizados 287 festivais de música em Portugal, já um decréscimo em relação ao ano anterior. “Em 2020 o número será muito diferente”, admitia já a Associação Portuguesa de Festivais de Música (APORFEST) no início de abril.

Artigo editado por Filipa Silva.