A Polícia Judiciária (PJ) anunciou, hoje, que está a investigar mais de 500 incêndios, que deflagraram desde o início do ano, em Portugal. Segundo a PJ, já foram detidos 24 indivíduos suspeitos de fogo posto, dos quais quatro ficaram em prisão preventiva.

“A maioria dos inquéritos diz respeito a casos ocorridos há mês e meio ou dois meses”, revelou, hoje, ao “Jornal de Notícias” o coordenador do Plano de Prevenção e Intervenção da PJ em fogos florestais, Pedro do Carmo. A maioria das investigações incide na zona Norte, ou seja, nos locais onde tem havido maior número de incêndios.

Entretanto, o ministro de Estado e da Administração Interna, António Costa, elogiou a actuação da PJ. “Tem sido um trabalho muito bom que a PJ tem vindo a realizar, e é importante que prossiga”, afirmou o ministro à Agência Lusa, no decorrer de uma visita ao Centro de Meios Aéreos de Vidago.

António Costa realçou que muitos incêndios ocorrem porque as pessoas infringem a lei quando lançam foguetes, trabalham no campo em dias de risco ou fazem churrascos. “São esses comportamentos negligentes que estão na origem da maioria dos fogos em Portugal. Por isso é necessário, mais uma vez, apelar a todos para que, sobretudo nestes dias de grande calor, evitemos esses comportamentos de risco”, frisou.

Portugal ajuda Espanha

No âmbito de um acordo de cooperação transfronteiriço entre Portugal e Espanha, o ministro anunciou que 76 bombeiros e militares da GNR, que contam com o apoio de 20 viaturas, já se encontram na Galiza a combater os incêndios que têm assolado o país vizinho.

“Não podemos dar uma ajuda maior do que aquela que foi possível disponibilizar, porque também o nosso país vive, neste momento, uma situação de risco”, sublinhou.

A porta-voz do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil assumiu, hoje, que Portugal não pediu ajuda à Comissão Europeia para combater os incêndios, porque ainda não precisou.

Chamas apagadas em Valongo

O incêndio que deflagrou segunda-feira em Valongo, no concelho do Porto, foi ontem dominado às 21h, por 259 homens e 84 viaturas. As chamas ameaçaram, uma vez mais, zonas residenciais, mas segundo fonte dos Bombeiros Voluntários de Valongo “a situação está completamente normalizada”.

João Queiroz
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