“As fantásticas aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy” é o último livro da trilogia de banda desenhada (BD) de Filipe Melo. O vídeo promocional, com mais de um milhão e meio de visualizações e que gerou alguma polémica (ver caixa), mostra-nos uma falsa reportagem onde aranhas gigantes invadem Lisboa: “Surgiu-me a ideia de fazer uma espécie de tributo, muito humilde, à guerra dos mundos de H. G. Wells e depois do Orson Welles. Queríamos muito fazer a nossa pequena versão disso, mas nunca imaginávamos que aquilo tivesse um décimo das visualizações que teve no YouTube”.

Escrita por Filipe Melo, ilustrada pelos argentinos Juan Cavia e Santiago Villa, esta trilogia veio trazer mais leitores à BD. Algo que não foi propositado: “Nunca foi o nosso objetivo mudar nada. Nós limitamo-nos a fazer uma coisa em que realmente acreditávamos e empenhamos todos os nossos esforços não só em fazer o melhor livro que conseguíssemos mas também em fazer com que esse livro chegasse às pessoas”, explica ao JPN.

A polémica das aranhas gigantes

Apesar do número de visualizações, a participação do jornalista João Moleira no vídeo promocional foi alvo de críticas, pelo facto de os jornalistas não poderem participar em ações de publicidade. Filipe Melo fez questão de comentar o caso com o JPN: “O João Moleira participou gratuitamente no vídeo e queria fazer parte de uma coisa de ficção. Nós temos jornalistas que escrevem ficção. Para mim, não é assim tão diferente. Ele não está a dar uma falsa notícia, nem está a fazer publicidade. Quer dizer, é um livro de banda desenhada e nós temos de ser altamente criativos para conseguir que as pessoas leiam o nosso livro. Eu acho que foi por isso que ele decidiu alinhar de forma completamente gratuita e por simpatia e amor ao projeto. Desta forma, qualquer coisa de negativa que vá na direção dele é triste, deixa-me triste”.

Apesar do sucesso d’”As Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy“, a BD continua a ser um mercado pequeno. Para Filipe Melo, isso acontece porque ainda existe um preconceito para com a banda desenhada: “Ainda é visto como algo para minorias e, muitas vezes, as pessoas têm uma relação mais direta com a literatura ou o cinema, ou o teatro. A banda desenhada ainda é vista como uma arte menor. Muitas vezes é vista como uma forma de entretenimento para crianças. E já há muito tempo que esse passo foi ultrapassado”.

Filipe Melo é músico, mas cresceu rodeado de livros, não fosse a mãe uma das fundadoras da Texto Editora. Desde cedo se apaixonou pela escrita e da escrita ao cinema foi parar, na verdade, à banda desenhada. O terceiro e último livro já está à venda e foi um dos destaques da Amadora BD 2013. É neste livro que termina a história das aventuras e desventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy. Porquê três livros? “Eu diria que é porque acredito muito no número 3, isto é, a história tem um princípio, um meio e um fim. E, sendo uma estrutura de três atos, esta não foge à regra”.

Filipe Melo diz gostar do facto de terminar tudo por aqui e, acima de tudo, está orgulhoso com o resultado final: “Mesmo que apareçam oportunidades de a continuar, eu acho que não vai ser boa ideia, porque isso é alterar uma coisa que acho que está boa e poderia sempre piorar. Prefiro arriscar em coisas novas do que numa que já está acabada”.