O Palácio das Sereias, na Rua da Bandeirinha, era a habitação da família Portocarrero, uma família italiana muito influente. Com vista privilegiada para o Douro, foi construído no século XVIII para habitação da família. Hoje, o Palácio dá lugar à Casa Madalena de Canossa, que reúne missionárias de diferentes nacionalidades e se dedica ao ensino e ao apoio dos desfavorecidos.

A família italiana abandonou este palácio em 1809, altura em que os populares assassinaram o seu filho por o julgarem envolvido com os invasores franceses. Desde então, o palácio permaneceu fechado até ser vendido ao Instituto das Filhas da Caridade, em 1955. Ali estabeleceram a Casa Madalena de Canossa, que funciona ainda nos dias de hoje como instituição missionária, creche, e ATL. O objetivo foi criar um espaço educativo para “cultivar a fraternidade cristã, a promoção humano-social e dignificação da pessoa humana”.

A instituição Filhas da Caridade Canossianas

Em 1955, quando a instituição foi criada pela irmã Antonieta, de origem italiana, o espaço não era como o encontramos hoje. Com o passar dos anos, na década de 70, houve a necessidade de se alargar o perímetro do palácio e criar condições para receber novas missionárias, vindas de Timor.

Hoje em dia, 62 anos depois, a Casa Madalena de Canossa cresceu em todos os sentidos. Inicialmente, acolhia apenas uma creche. Mas o espaço cresceu e tem, também, ATL e jardim-de-infância. A instituição tem as portas abertas para todas as crianças e “sobretudo, para quem mais precisa”, garante a Irmã Conceição, que chegou à instituição logo em 1958.

São nove as missionárias – uma italiana, duas timorenses e seis portuguesas – que fazem do Palácio das Sereias a sua casa. O número tem vindo a diminuir, pois ao contrário do que acontecia antigamente, as missionárias de outros países já não procuram Portugal para estudar com tanta frequência.

Mas as Filhas da Caridade Canossianas estão espalhadas pelos cinco continentes com um total de 370 comunidades. Em Portugal existem apenas duas, no Porto e em Lisboa, mas há locais onde estão fortemente representadas. É exemplo disso, Itália, país de origem de Madalena de Canossa e a Índia.

Irmã Conceição, que guiou a visita do JPN à instituição, confessa a vocação que sentiu “desde sempre” e falou com entusiasmo dos 20 anos de missão em África. “Dava tudo para ser Irmã e encontrei uma congregação de Santa Madalena para encontrar o que desejava. Sou a pessoa mais feliz do mundo por ser Irmã”, afirma.

Quem foi Madalena de Canossa?

Vinda de uma família nobre italiana, depois da morte do seu pai quando tinha 5 anos e de ter sido abandonada pela mãe quando ainda era criança, Madalena percebeu desde cedo qual era a sua vocação e começou a receber pessoas pobres na sua casa para lhes dar esmola.

Em 1801, Madalena de Canossa, contrariando a vontade da família, fez do seu palácio uma comunidade de religiosas que dava abrigo a pobres e abandonados.

Sete anos mais tarde, deixou o palácio em definitivo e foi para o bairro mais pobre de Verona para concretizar o seu ideal de evangelização e de promoção humana e acabou por fundar a congregação das Filhas da Caridade para a formação de religiosas educadoras dos pobres e necessitados. A partir daí, a congregação foi-se espalhando pelos quatro cantos do mundo.

Artigo editado por Rita Neves Costa