Marcelo Rebelo de Sousa foi na sexta-feira ao Porto para a inauguração das novas instalações da Escola Superior de Saúde (ESS), do Instituto Politécnico do Porto (IPP), mas foi recebido à porta por profissionais de diagnóstico e terapêutica, que aproveitaram a visita do Presidente a uma escola onde se formaram muitos destes profissionais para entregarem  um documento com reivindicações.

Gina Pinto, técnica de análises clínicas, dirigiu-se ao chefe de Estado “em representação dos técnicos de diagnóstico e terapêutica”, que afirmou serem uma “classe reconhecida diariamente no terreno”, mas que “não tem reconhecimento do Governo há 18 anos”. As mesmas reivindicações já tinham sido entregues ao primeiro-ministro, António Costa, uma semana antes.

O Presidente da República mostrou-se sensível às reivindicações dos técnicos de saúde e disse que faria chegar o documento ao Governo, mas demonstrou preocupação quanto à greve por tempo indeterminado: “Já pensarem bem nos milhares de pessoas afetadas e que não podem fazer exames? Não deviam interromper a greve?”, questionou Marcelo Rebelo de Sousa.

A técnica respondeu que apesar da greve, têm sido assegurados “os serviços mínimos”, mas mesmo com a totalidade dos serviços, garante, estes “são insuficientes para dar a resposta que o Serviço Nacional de Saúde precisa”.

Gina Pinto diz que “foram empurrados para uma luta de extremos que os colocou numa dicotomia sentimental” e que já se debatem com o Governo “antes das reivindicações dos médicos e enfermeiros”.

“Já não são meios complementares de diagnóstico, são quase meios primários de diagnóstico”, explicou Gina Pinto, que refere compreender as “dificuldades para gerir a bolsa da Saúde, mas que o Governo deveria dar importância “aos que estão a um nível abaixo daquele que merecem”: “Estamos no fundo da gaveta há muitos anos. Todos os profissionais recebem como licenciados e nós não”.

A greve dos Técnicos Superiores das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica (TSDTs) arrancou a 2 de novembro e foi decretada por tempo indeterminado. O objetivo passa pelo descongelamento das carreiras. A última estimativa do sindicato que representa estes trabalhadores aponta para cerca de 100 mil utentes afetados pela paralisação que se faz sentir um pouco por todo o país, deixando por realizar “análises clínicas, exames de cardiologia e pneumologia, exames de radiologia, e tratamentos vários”, como indica o sindicato.

Artigo editado por Filipa Silva