Depois da anunciada reestruturação dos ciclos de estudo da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) – que a partir de 2021 deixa de ter mestrados integrados e passa a ter licenciatura e mestrado – os estudantes mostram-se preocupados com a falta de informação sobre o processo de transição, mesmo depois da sessão de esclarecimento aos alunos que a instituição promoveu na segunda-feira. “A única coisa que está perfeitamente estabelecida são as cadeiras que cada curso irá ter“, afirma Diogo Pimenta, presidente da Associação de Estudantes da FEUP (AEFEUP) ao JPN.

Para o representante dos alunos, o grau de exigência da instituição pode ser uma desvantagem na hora de conseguir uma vaga no mestrado. “Pela exigência que é aplicada na FEUP, as médias serão naturalmente mais baixas do que em outras escolas. Há muitos fatores que devem ser tidos em conta, nomeadamente, a procura em primeira opção [na licenciatura] pelos cursos da FEUP em prol de outros cursos da mesma área”, esclarece.

O estudante do Mestrado Integrado em Engenharia Mecânica reconhece que a instituição vai tornar-se mais competitiva com a reorganização. “Vamos ter muito mais procura dos estudantes que vêm de fora e que acabam o curso de Engenharia, mesmo tendo licenciatura feita noutra escola, com o carimbo do mestrado da FEUP.”

Sobre este ponto, o diretor da FEUP, João Falcão e Cunha, assumiu na entrevista que deu ao JPN que as mudanças iam tornar o panorama mais competitivo, mas considerou também que os estudantes que terminarem a licenciatura naquela instituição estarão, provavelmente, melhor preparados.

Segundo Diogo Pimenta, a propina de mestrado vai manter-se igual à propina de licenciatura. “O decreto-lei diz que a propina deve manter-se a mesma no mestrado quando este for considerado de continuidade e fundamental para o exercício da profissão“, esclarece. Atualmente, os estudantes de mestrado integrado têm um diploma de Licenciatura em Ciências da Engenharia ao fim de seis semestres curriculares. No entanto, este diploma não é suficiente para o reconhecimento automático pela Ordem dos Engenheiros.

O presidente da AEFEUP fala ainda na perda de “contextualização cultural” do que é ser estudante da FEUP. “O curso é muito mais do que estudar. Ser estudante da FEUP é algo que não é quantificável” considerando que a descontinuidade da formação entre a licenciatura e mestrado “vai ter influência no futuro”, finaliza.

Em 2018, dois cursos da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto – Bioengenharia (183,0 valores) e Engenharia e Gestão Industrial (186,3 valores) – figuraram entre os dez cursos com média mais alta em 2018.