Com uma comunidade a rondar as 9 mil pessoas, um campus de 94 mil metros quadrados e cerca de 6 milhões de quilowatts-hora de energia elétrica gastos anualmente, a maior faculdade da Universidade do Porto (UP) cedo teve de despertar para a matéria da Sustentabilidade. 

Corria o ano de 2015, quando a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) criou um Comissariado para a Sustentabilidade. Contudo, Ana Carla Madeira, responsável pelo organismo, conta ao JPN que “a história da sustentabilidade na FEUP começou muito antes”, mais precisamente em 2006, com a publicação do “Relatório de Sustentabilidade“. Foi a “primeira Instituição do Ensino Superior“a fazê-lo, assegura.

O JPN esteve à conversa com Ana Carla Madeira, responsável pelo Comissariado para a Sustentabilidade da FEUP. Foto: Mariana Figueiredo

Este “primeiro grande passo” serviu como “diagnóstico” dos três pilares que compõem a sustentabilidade que são a “parte económica, social e ambiental”. Contudo houve “uma necessidade de evoluir“, tentando um novo modelo do relatório, mais adaptado ao Ensino Superior e, eventualmente, a “criação do comissariado“, em 2015,  fez parte dessa evolução, explica Ana Carla Madeira.

Os relatórios terminaram em 2012, “uma paragem” para reavaliar o método, mas “vão voltar a ser publicados”, assegura a responsável.

O movimento é uma constante no corredor do edifício B da FEUP. Foto: Mariana Figueiredo

O Comissariado, composto por oito membros (docentes, técnicos e estudantes), trabalha de acordo com o “plano estratégico” que inclui “quatro grandes temas“: educação para a sustentabilidade; investigação para a sustentabilidade; a comunidade e o campus sustentável.

No âmbito do campus sustentável, a maior faculdade da UP, que já fez a “substituição das lâmpadas por LEDs“, está “num concurso, em fase avançada, para a instalação de painéis fotovoltaicos para autoconsumo”, revela a responsável.

A Faculdade de Engenharia do Porto tem 23 mil metros quadrados de área verde. Foto: Mariana Figueiredo

Relativamente ao gasto de papel,  Ana Carla Madeira assegura que “tem havido uma diminuição muito significativa ao longo do tempo”. Em 2017, foram impressas aproximadamente 3 milhões de páginas na FEUP, constrastando com cerca de 5 milhões em 2010. Parte dessa diminuição aconteceu naturalmente com a “passagem de procedimentos para o digital“, mas “as pessoas também estão mais sensibilizadas em não gastar tanto papel”, comenta.

Com o objetivo de sensibilizar os estudantes do primeiro ano para esta temática, “no início do ano letivo” promoveram “uma palestra, onde é divulgado o Comissariado e algumas iniciativas”. Também lhes “é dada uma garrafa reutilizável“, acrescenta a responsável. “A recetividade dos alunos tem sido boa”, confirma.

O prémio para o vencedor do concurso “Mais ideias sustentáveis” deste ano é a bicicleta, exposta na faculdade. Foto: Mariana Figueiredo

Para “envolver tanto os estudantes, como os docentes e os técnicos” foi criado o concurso Mais ideias sustentáveis no qual pode participar quem tiver “uma ideia para tornar a FEUP mais sustentável”. “A ideia vencedora, à partida, será aplicada” e o seu autor tem um prémio, que na edição deste ano é uma bicicletaexplica Ana Carla Madeira.

O Mais ideias sustentáveis já trouxe cinzeiros especiais para o Campus da FEUP (que aliciam as pessoas a responder a questões simples, colocando as beata no recipiente A ou B, em vez de as atirarem o chão), bem como  máquinas de café que permitem a utilização de copos reutilizáveis e está prometida a instalação de bebedouros nos jardins da FEUP .

A confiar na sondagem deste cinzeiro, a maior parte dos fumadores da FEUP utiliza chávena reutilizável nas máquinas de vending de café. Foto: Mariana Figueiredo

O Comissariado promove, também, os Repair Cafés, em parceria com a Lipor e a European Recycling Platform, cuja próxima edição é esta terça-feira, no âmbito da Semana Europeia da Prevenção dos Resíduos, cujo “objetivo principal é promover a economia circular, e dar uma segunda vida aos objetos, promovendo a sua reparabilidade”, explica a responsável.

Há ainda o Horta à Porta, projeto de agricultura biológica, em parceria com o Hospital Conde Ferreira e a Lipor, e um sistema de partilha de boleias em conjunto com o programa Galpshare.

Os sensores instalados nas máquinas de café detetam a presença dos copos reutilizáveis, permitindo a sua utilização. Foto: Mariana Figueiredo

Como ponto alto de 2019, Ana Carla Madeira destaca a 1ª Conferência Campus Sustentável (CCS 2019), que decorreu a 31 de outubro. A CCS 2019 contou com 250 participantes e culminou com a assinatura, por 28 estabelecimentos de ensino públicos, da carta de compromisso das Instituições de Ensino Superior  com o desenvolvimento sustentável: “foi uma agradável experiência e um dia muito intensivo com 50 comunicações orais”.

A responsável pelo Comissariado lembra, ainda, que sustentabilidade não é só falar de ambiente: no pilar social “temos feito algumas iniciativas no que diz respeito à igualdade de género”, com o projeto “Engenheiras por um dia” que passa pela desmistificação das engenharias para as mulheres, nas escolas secundárias.

Em 2020, para além da continuidade das atividades, está previsto o lançamento do site do Comissariado para a Sustentabilidade.

Artigo editado por Filipa Silva