Montse Alsina é professora da Universidade Politécnica da Catalunha e Coordenadora da Plataforma das Universidades pelos Direitos Civis e Democracia da Catalunha (Pucat), uma estrutura que reúne professores, estudantes e trabalhadores das universidades catalãs.

Em entrevista ao JPN, a ativista explica que o Manifesto é uma “tentativa de unificar tudo o que vinha sendo feito” pela comunidade académica catalã, constituída no seu todo por 200 mil pessoas, em defesa da independência da Catalunha e da libertação dos líderes independentistas, que foram condenados a 14 de outubro pelo Supremo Tribunal Espanhol a penas de prisão entre os nove e os 13 anos, pelos crimes de sedição e desvio de fundos públicos.

O Manifesto tem alguns meses (foi aprovado em junho), mas Montse Alsina sublinha que já se sabia quais iam ser as sentenças, pelo que “infelizmente o conteúdo continua atualizado”, comenta, sublinhando a reação generalizada de protesto da comunidade académica contra as condenações decretadas.

Documento defende a salvaguarda dos direitos fundamentais

Até à data, mais de mil pessoas oriundas dos quatro cantos do mundo já subscreveram o Manifesto, cujo texto denuncia uma “violação dos direitos civis na Catalunha” e a “constante ameaça à democracia no país”.

Contesta também a “judicialização da política, a violência e a repressão” como respostas às aspirações da população catalã que apontam como legítimas no quadro do direito internacional e que deveriam ser substituídas pelo “diálogo” e pela “negociação”.

Assim, propõe três eixos de ação imediata: a separação do poder judicial e político, a garantia de que os direitos da liberdade de expressão e de reunião são aplicados, e a resolução política do problema existente na Catalunha.

Manifesto recebe com forte apoio na academia

O documento foi aprovado nos senados das sete universidades públicas da Catalunha. Os senados são compostos pelos representantes eleitos das respetivas comunidades académicas, o que significa que, como refere a coordenadora do Pucat, são representativos da “opinião das pessoas que fazem parte das Universidades”. O Manifesto foi aprovado por 84% do conjunto dos membros eleitos dos senados, o que é “muito significativo”, acrescenta.

“Estamos muito orgulhosos com isto”, refere a professora universitária, “porque foi a primeira vez na História que as universidades fizeram algo assim, juntarem-se todas e aprovarem em todos os senados o mesmo texto”.

Quim Torra e Roger Torrent recebem signatários

A importância do Manifesto também foi reconhecida pelos principais líderes políticos da Catalunha. A 7 de novembro, Quim Torra, presidente do Governo catalão, recebeu elementos da Pucat. Duas semanas depois foi a vez de Roger Torrent, Presidente do Parlamento da Catalunha ter o mesmo gesto para com os representantes dos senados universitários.

Com esta iniciativa, a Plataforma pretende também enviar uma mensagem à comunidade internacional e, em particular, aos membros das universidades espalhadas pelo mundo. Neste sentido, Montse Alsina anuncia, com evidente satisfação, que o Manifesto está traduzido para português e convida toda a comunidade académica nacional a lê-lo e apoiá-lo.

Artigo editado por Filipa Silva