“Estamos aqui 40 anos depois”. É assim que Mário Dorminksy, um dos fundadores do Fantasporto, começa por assinalar a nova edição do festival, que comemora este ano quatro décadas. O programa de celebração do aniversário vai ter lugar no Rivoli, entre 25 de fevereiro a 08 de março, no Porto.

Vão ser exibidos filmes de várias proveniências e géneros, alguns deles pela primeira vez. Prova disso é, por exemplo, o filme Adverse que marca oficialmente o início do festival através da sessão de abertura em antestreia mundial, no dia 28 deste mês. Até lá, o Rivoli vai exibir alguns clássicos – “Blade Runner”, “Bram Stoker’s Dracula” e “Raging Bull”. “Cry Of The Sky”, no dia 29, e “In the Name of the Mother“, 5 de março, vão ter antestreia mundial.

“É estranho, somos um país pequeno ao nível do mercado comercial de cinema e ainda assim o Fantasporto vai mostrar as grandes produções que foram feitas no mundo”, confessa Mário Dorminsky. O Fantasporto “é um festival de cinema, não de estrelas”, acrescenta. Apesar disso, a edição deste ano vai contar com equipas estrangeiras e portuguesas de 57 filmes, que incluem produtores, realizadores, atores e atrizes. Destes nomes destacam-se, por exemplo, Bruno Gagliasso (ator brasileiro) e Ruggero Deodato (argumentista italiano).

“A proximidade não deve ser um impeditivo. Foram enviados filmes de todo o mundo”, conta Beatriz Pacheco Pereira, também fundadora do festival. Com uma amostra de 68 países, trata-se do “recorde de oferta do Fantas” no que toca a diversidade de nações. A programação final do Fantasporto conta com um total de 37 filmes que vão ser exibidos em 77 sessões durante os dias do festival.

Na secção “Semana dos Realizadores” vão estar presentes temas bastante atuais, desde a migração – representado em filmes como Exile, 2 de março, Omar and Us, dia 4 do mesmo mês –, ao impacto das redes sociais no relacionamento humano, patente no filme argentino Una Chica Invisible, a 1 de março. Destacam-se ainda outros temas, como sustentabilidade, ambiente e exploração infantil.

O documentário “40 Anos de Fantasporto” é outra novidade na edição deste ano. Como conta Beatriz Pacheco Pereira, “é a prenda mais bonita termos um filme de Isabel Pina para comemorar os 40 anos”. O documentário, em antestreia mundial, pode ser visto dia 6 de março, no Pequeno Auditório do Rivoli.

O cinema português vai também estar em destaque com 40 filmes inéditos de oito universidades nacionais e escolas superiores de cinema português, nomeadamente, Universidade do Minho (UM), Universidade Católica Portuguesa (UCP), Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), entre outras.

Apesar da grande oferta e da comemoração dos 40 anos do Fantasporto, não é o ano com mais filmes. “Nós queríamos fazer mais, mas não podemos, não temos capacidade financeira”, confessa Mário Dorminsky. Houve ainda a intenção de alargar a transmissão do Fantas à Praça D. João I. No entanto, segundo o organizador, a proposta não foi aceite pela Câmara do Porto. “Estamos confinados ao espaço e às salas do Rivoli”, conclui.

Os bilhetes para o Festival Internacional de Cinema do Porto podem ser adquiridos no Rivoli e a programação completa pode ser vista aqui.

Artigo editado por Filipa Silva.