A Universidade do Porto (UP) é a instituição de ensino superior portuguesa onde mais vai subir o número de vagas abertas através do Concurso Nacional de Acesso de 2020. No próximo ano letivo, a UP terá 4.173 lugares a concurso, mais 142 do que no ano letivo anterior, de acordo com os dados divulgados este sábado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES).

Depois do corte de duas centenas de vagas em 2018, por determinação governamental, a instituição tem recuperado lugares (está a 12 vagas do nível de 2017) sobretudo à conta da autorização do MCTES para aumentar vagas nos cursos mais procurados pelos melhores alunos.

No despacho de orientação de vagas para o próximo ano letivo, o MCTES abriu a porta à possibilidade de esticar até 20% o número de vagas nos cursos com Índice de Excelência de Candidatos de 100% ou mais (excetuando os de Medicina, que podiam aumentar até 15%). Ora, dos oito cursos da Universidade do Porto que estavam nesta posição, seis aproveitaram o convite: Engenharia Mecânica (+30 vagas), Engenharia Informática e Computação (+25), Engenharia e Gestão Industrial (+15) e Bioengenharia (+10), todos da Faculdade de Engenharia. Também o curso de Gestão, da Faculdade de Economia, reforça a sua oferta por esta via (+26 vagas), bem como o curso de Línguas e Relações Internacionais da Faculdade de Letras (+9 vagas). Já Arquitetura e Direito optaram por manter o número de vagas do ano passado.  

Os cursos de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (+30 vagas) e o de Ciência de Computadores – este da Faculdade de Ciências – também reforçam a sua oferta, beneficiando da abertura do MCTES para oferecer mais vagas em cursos ligados às competências digitais.

A estas 152 vagas adicionais há que retirar dez cortadas em três cursos: Arquitetura Paisagista (-3), Química (-5) e Engenharia Geoespacial (-2).

Quem, como era esperado, recusou a possibilidade de alargar o numerus clausus foram as escolas médicas do país que mantiveram na íntegra o número de vagas oferecidas no último concurso. A única exceção é a Universidade dos Açores, onde o Ciclo Preparatório de Medicina se propõe receber mais seis alunos no próximo ano.

O mesmo é dizer que mantêm-se as 1.441 vagas para os sete mestrados integrados de Medicina do país, e 82 vagas nos ciclos preparatórios das Ilhas.

No total nacional, vão abrir 51.408 vagas nas universidades e politécnicos públicos do país através do Concurso Nacional de Acesso de 2020. São mais 548 do que no ano passado. A estas juntam-se 721 vagas para concursos locais.

O aumento beneficia sobretudo do reforço da oferta nos cursos com concentração de melhores alunos (que não de Medicina), entre os quais as vagas crescem 16%. O MCTES sublinha também o número de vagas  oferecidas por instituições localizadas em regiões com menor pressão demográfica também cresceu 7% nos últimos três anos, em linha com o desejado pelo Governo. No mesmo período, a redução de vagas nas instituições de Lisboa e do Porto foi de 4%.

O prazo de candidatura à primeira fase do Concurso Nacional de Acesso decorre, este ano, entre 7 e 23 de agosto, como sempre no site da Direção-Geral do Ensino Superior, mas mais tarde do que é habitual devido aos efeitos da pandemia da Covid-19. Os resultados das colocações devem ser conhecidos a 28 de setembro.